Justiça alemã emite ordem internacional de prisão contra Videla

Berlim, 22 jan (EFE).- A Justiça alemã emitiu hoje uma ordem internacional de detenção contra o ex-presidente da Argentina Jorge Rafael Videla, acusado da morte de um alemão que desapareceu durante a ditadura militar no país sul-americano.

EFE |

O caso, arquivado em 2008 devido à recusa de um tribunal de Buenos Aires em extraditar Videla, foi reaberto no fim do ano passado, após a descoberta dos restos de Thomas Stawowiok na Argentina.

Membro da União de Estudantes e ligado ao grupo guerrilheiro Montoneros, Stawowiok desapareceu em 21 de fevereiro de 1978, aos 20 anos, ao sair da fábrica onde trabalhava como químico.

Seus familiares recuperaram suas pistas um ano e meio atrás, depois que seu pai, Desiderius, de 84 anos, viajou a Buenos Aires após receber o aviso de que um dos corpos encontrados em agosto de 2004 em uma vala comum de Lomas de Zamora podia ser de seu filho.

A Equipe Argentina de Antropologia Legista (EAAF) investigou uma amostra dos restos encontrados com os genes de Desiderius Stawowiok, o que permitiu a identificação do corpo como o de seu filho, e, posteriormente, a reabertura das investigações, baseadas nos indícios de tortura e possível assassinato.

A Justiça alemã suspendeu o julgamento contra Videla após anos de investigações, depois que o juiz de Buenos Aires Sergio Torres rejeitou o pedido de extradição, já que o ditador tinha sido processado e condenado em seu país.

A Procuradoria de Nuremberg iniciou em 1990 investigações contra Videla e Emilio Massera, entre outros membros da Junta, baseando-se nos casos de dois desaparecidos alemães, Elizabeth Kässemann e Klaus Zieschank.

Em 2003, foi emitida uma ordem de prisão contra ambos os processados, seguido em 2004 por um pedido de extradição do Governo alemão, pela morte de Kässeman, estudante de teologia e filha do influente pastor luterano Ernst Kässeman.

A jovem Kässeman foi vista pela última vez em março de 1977, quando foi sequestrada, torturada e assassinada em Monte Grande, província de Buenos Aires.

Zieschank foi detido por civis armados em San Martín, província de Buenos Aires, em março de 1976, e, após ser conduzido às prisões da Tablada e Morón, foi estrangulado e seu corpo foi supostamente jogado ao mar.

O ex-general Videla, de 84 anos, presidiu o país entre 1976 e 1981, período correspondente aos desaparecimentos desses três alemães, membros da resistência.

Em 2008, após ficar em prisão domiciliar por dez anos, a Justiça argentina lhe revogou esse benefício e Videla foi levado a uma prisão dentro de uma guarnição militar. EFE gc/sa

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