Justiça adia decisão sobre execução de Sakineh, diz comitê

Comitê Internacional Contra o Apedrejamento afirma que Irã adiou em uma semana a decisão

iG São Paulo |

AP
Foto Sakineh Mohammadi-Ashtiani divulgada por ONG em Londres
A Justiça iraniana adiou neste sábado a decisão sobre a execução de Sakineh Mohammadi-Ashtiani, condenada à morte pelo crime de adultério, segundo informações do Comitê Internacional Contra o Apedrejamento. Conforme o órgão, uma nova reunião foi marcada para o próximo sábado.

Na sexta-feira, o governo brasileiro reafirmou que fez uma oferta formal de asilo ao Irã . Em nota divulgada, o Itamaraty afirma que uma reunião oficial foi realizada no dia 4 de agosto entre o embaixador do Brasil em Teerã, Antonio Salgado, e o vice-ministro interino para as Américas do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

De acordo com o Itamaraty, o objetivo da reunião foi "transmitir oficialmente o apelo referente à cidadã iraniana" e "a oferta de recebê-la no Brasil". "O Itamaraty considera que a gestão realizada pelo embaixador do Brasil em Teerã constitui, do ponto de vista diplomático, formalização da oferta", diz o texto.

"O Itamaraty confia em que o apelo feito com base em considerações puramente humanitárias e no bom relacionamento entre os dois governos, que não visa a interferir na soberania iraniana, receberá a devida atenção das autoridades daquele país", completa.

Resposta

Na entrevista à Agência Brasil, o embaixador iraniano descartou o envio de Sakineh ao Brasil, com o argumento de que a mulher condenada é iraniana, o que, segundo ele, "elimina a possibilidade de outro país ser incluído no processo".

O Irã ainda não deu uma resposta oficial ao Brasil, mas o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano afirmou, na semana passada, que o presidente Lula tem "personalidade emotiva" e fez a oferta sem "informação suficiente" sobre o caso.

A proposta brasileira foi apoiada por ativistas que defendem os direitos humanos no Irã, mas foi criticada por setores mais conservadores ligados ao governo do país.

Ashtiani, de 43 anos, está presa no Irã desde maio de 2006, quando um tribunal na Província do Azerbaijão Ocidental a considerou culpada por manter “relações ilícitas” com dois homens após a morte de seu marido.

`Confissão´

Na noite da última quarta-feira, a TV estatal iraniana levou ao ar uma suposta entrevista com Sakineh , em que a iranina admite ter conspirado para matar o marido. A "confissão" foi condenada pela Anisitia International, organização de defesa dos direitos humanos.

De acordo com a ONG, "confissões desse tipo (transmitidas pele televisão) têm sido repetidamente usada pelas autoridades iranianas para incrimar pessoas que estão sob custódia". Ainda segundo a Anistia, muitos desses indivíduos acabam "retirando" a confissão tempos depois, com o argumento de que foram "coagidos, às vezes sob tortura".

*Com informações da BBC Brasil

    Leia tudo sobre: iranianajustiçaSakineh Mohammadi-Ashtiani

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG