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Júri elogia investigação jornalística da equipe de O Dia

(não é ampliação) Madri, 29 jan (EFE).- O júri do Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha, concedido pela Agência Efe e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid) destacou a notável investigação jornalística dos autores da reportagem Milícias - Política do Terror, do jornal O Dia.

EFE |

O prêmio "quer servir de estímulo ao trabalho desenvolvido pelos jornalistas na América Latina em condições de insegurança", além de ser "uma homenagem a todos os informadores assassinados no cumprimento de seu trabalho e na busca da verdade", acrescentou.

A equipe do jornal "O Dia" foi premiada hoje na categoria Imprensa do Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha pela reportagem "Milícias - Política do Terror", na qual foram sequestrados, torturados e ameaçados por uma milícia que controla uma favela do Rio do Janeiro, em maio do ano passado.

O prêmio, em sua 26ª edição, também agraciou jornalistas e Chile, Colômbia, México e Espanha por trabalhos de investigação e denúncia social.

O fotógrafo e o motorista da equipe, que alugavam uma casa na do Batan, em Realengo, na zona oeste, há duas semanas foram chamados para "tomar uma cerveja" por moradores, quando, ao chegar a um bar se viram rendidos por dez bandidos armados que cobriam os rostos com toucas ninjas.

Em seguida, eles foram até a casa, onde renderam a repórter, que completava a equipe.

Ela foi obrigada a sair de casa com a cabeça enfiada em um saco plástico e uma pistola encostada no rosto, até chegar ao carro onde estavam os colegas, algemados.

No cativeiro, eles foram seguidamente sufocados e submetidos a sessões de choques elétricos, enquanto eram ameaçados de que um chefe, que chamavam de "coronel" -em possível alusão ao fato de as milícias serem integradas majoritariamente por policiais- que decidiria se eles seriam ou não executados.

Os jornalistas também foram obrigados a fornecer suas senhas de e-mail, com as quais os bandidos descobriram os relatórios que eles passavam ao jornal, redobrando o peso dos castigos.

Os três só foram libertados após sete horas, depois de prometerem que manteriam silêncio sobre o episódio.

Ao invés disso, o jornal publicou a matéria, mantendo a equipe no anonimato - que foi mantido pelo prêmio - por questão de segurança.

Em dezembro, cinco integrantes da milícia autodenominada "Águia" foi presa pela Polícia.

Este foi o episódio de violência repórteres brasileiros de maior repercussão na imprensa brasileira desde o assassinato de Tim Lopes, da Rede Globo, por traficantes do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, em 2002. EFE mlg/jp

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