Júri do caso Jean Charles visita estação onde o brasileiro morreu

Londres, 23 set (EFE).- O júri da investigação pública sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes visitou hoje a estação de metrô de Stockwell, em Londres, onde o jovem foi morto em 22 de julho de 2005, quando agentes o confundiram com um terrorista suicida.

EFE |

No segundo dia da investigação, seis mulheres e cinco homens que integram o júri foram levados de ônibus do estádio de críquete Brit Oval, no sul de Londres, onde ocorre a averiguação pública, até Stockwell (também no sul) A Polícia Rodoviária de Londres fechou a estação durante dez minutos, para que o júri pudesse ver de perto a plataforma onde Jean Charles foi baleado pelos agentes.

Segundo fontes da investigação, o júri - que esteve acompanhado pelo ex-juiz do Tribunal Superior de Londres Michael Wright, responsável pelo caso - fez um momento de silêncio na plataforma número 2, onde ocorreu a tragédia.

O júri observou três locais de interesse: a área onde são comprados bilhetes, as escadas rolantes e as plataformas.

Também estiveram presentes dois primos de Jean Charles: Alex Pereira e Patricia da Silva Armani.

Cerca de 100 pessoas, entre elas 65 policiais, foram convoca dos a prestar depoimento nesta investigação, que deve durar aproximadamente três meses.

Entre os assuntos que Wright deverá abordar estão a legalidade das medidas tomadas pela Polícia na manhã de 22 de julho de 2005, e como Jean Charles conseguiu pegar um ônibus para chegar à estação Stockwell, já que as forças da ordem o seguiam desde um apartamento no bairro de Tulse Hill (sul de Londres).

Entre os chamados a depor estão dois agentes que fizeram os disparos, identificados como "Charlie 2" e "Charlie 12", mas declararão protegidos por biombos, para não serem reconhecidos.

Uma testemunha-chave será Cressida Dick, responsável direta da operação e que em um julgamento anterior foi absolvida por um júri de qualquer culpa pessoal na morte do brasileiro.

A morte de Jean Charles aconteceu um dia depois dos atentados fracassados de 21 de julho de 2005 contra a rede de transporte de Londres, nos quais nenhuma pessoa ficou ferida e que pretendiam imitar os ataques terroristas de 7 de julho daquele ano em Londres.

No ano passado, a Polícia Metropolitana de Londres foi declarada culpada de violar a Lei de Saúde e Segurança no Trabalho de 1974, que obriga as forças da ordem a cumprir as normas também a respeito dos que não são seus funcionários. EFE vg/an

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