Júri do caso Jean Charles observa imagens do brasileiro antes da tragédia

Londres, 24 set (EFE).- O júri da investigação pública sobre o caso do brasileiro Jean Charles de Menezes pôde ver hoje o momento em que este viajava de ônibus para a estação londrina de metrô de Stockwell, onde, em 22 de julho de 2005, agentes atiraram contra o jovem ao confundi-lo com um terrorista suicida.

EFE |

As imagens foram captadas pelas câmeras de circuito fechado de segurança do ônibus número dois, que Jean Charles pegou no bairro de Tulse Hill (sul de Londres) em direção a Stockwell, para ir trabalhar.

O vídeo mostra o brasileiro, vestido com uma jaqueta, abordar o ônibus e, poucos minutos depois, um agente policial que o segue sem ser visto.

Em Brixton, as câmeras de segurança da Prefeitura registraram o momento em que o jovem desceu do ônibus para entrar na estação de metrô.

Mas, ao ver que a estação de Brixton estava fechada, Jean Charles pegou outro ônibus, novamente o número 2, para ir até Stockwell, segundo as imagens mostradas hoje no terceiro dia da investigação realizada no estádio de críquete Brit Oval.

Na terça-feira, seis mulheres e cinco homens que integram o júri foram levados de ônibus do estádio até Stockwell.

Cerca de 100 pessoas, entre elas 65 policiais, foram convocados a prestar depoimento nesta investigação, que deve durar aproximadamente três meses e está a cargo do ex-juiz do Tribunal Superior de Londres Michael Wright.

Entre os assuntos que Wright deverá abordar estão a legalidade das medidas tomadas pela Polícia na manhã de 22 de julho de 2005, e como Jean Charles conseguiu pegar um ônibus para chegar à estação de Stockwell, já que as forças da ordem o seguiam desde um apartamento no bairro de Tulse Hill.

Entre os chamados a depor estão dois agentes que fizeram os disparos, identificados como "Charlie 2" e "Charlie 12", mas eles declararão protegidos por biombos, para não serem reconhecidos.

Uma testemunha-chave será Cressida Dick, responsável direta da operação e que, em um julgamento anterior, foi absolvida por um júri de qualquer culpa pessoal na morte do brasileiro.

A morte de Jean Charles aconteceu um dia depois dos atentados fracassados de 21 de julho de 2005 contra a rede de transporte de Londres, nos quais nenhuma pessoa ficou ferida e que pretendiam imitar os ataques terroristas de 7 de julho daquele ano na capital britânica.

No ano passado, a Polícia Metropolitana de Londres foi declarada culpada de violar a Lei de Saúde e Segurança no Trabalho de 1974, que obriga as forças da ordem a cumprir as normas também a respeito dos que não são seus funcionários. EFE vg/an

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