Júri declara inocentes 3 acusados do assassinato de jornalista russa

MOSCOU - Um júri popular declarou hoje inocentes os três acusados pelo assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, informaram as agências russas.

Redação com agências internacionais |

Os júris declararam por unanimidade que a promotora não tinha provado a culpa de dois irmãos chechenos, Dzhabrail e Ibragim Majmúdov, e do oficial do Ministério do Interior Serguei Khadzhikurbanov.

O oficial dos serviços secretos Pavel Ryaguzov, processado na mesma causa por abuso de poder e extorsão, também foi considerado inocente.


Acusados foram declarados inocentes pelo júri / AP

Os integrantes do júri popular deliberaram durante quase duas horas sobre as 20 perguntas propostas pelo juiz antes de emitir seu veredicto.

Em seguida, o juiz ordenou a liberdade dos quatro acusados, em um caso de assassinato que causou uma grande comoção internacional e valeu ao Kremlin a condenação das organizações de direitos humanos.

A Procuradoria informou que tem intenção de recorrer da decisão.

O diretor do "Novaya Gazeta" - onde a jornalista trabalhava -, Dmitri Muratov, aceitou a decisão do júri, elogiou sua seriedade, mas ressaltou que, com esta decisão, a investigação do caso não tinha terminado.

Os advogados da família de Politkovskaya, uma das jornalistas mais críticas ao Kremlin devido ao conflito na Chechênia, tinham denunciado várias vezes que, entre os acusados, não estavam todos os envolvidos no assassinato.

O suposto assassino da jornalista, um terceiro irmão Makhmudov, Rustam, se encontra em paradeiro desconhecido e é objeto de busca e captura internacional há vários meses.

Em um pronunciamento em frente ao tribunal, o advogado dos réus afirmou que a decisão foi uma vitória para a Justiça na Rússia e acrescentou que as autoridades agora devem buscar os verdadeiros assassinos da jornalista.

Repercussão internacional

O assassinato de Politkovskaya foi condenado internacionalmente em meio a alegações de que Putin havia fracassado em proteger a liberdade de expressão no país.

Segundo o Comitê de Proteção dos Jornalistas, uma organização dos Estados Unidos, Politkovskaya foi a 13ª jornalista a ser assassinada num crime por encomenda na Rússia durante o período da presidência de Vladimir Putin.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas da Rússia, Vsevolod Bogdanov, afirmou que está "envergonhado" pelo resultado do julgamento.

"Tenho este sentimento de uma vergonha incrível - em que nível a investigação foi construída para que os jurados tenham tomado esta decisão por unanimidade?", perguntou o jornalista falando à agência de notícias Interfax.

O assassinato de Politkovskaya, que nasceu em Nova York, em 1958, foi cometido quando a jornalista preparava um artigo sobre as torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado pelos colegas cinco dias após a morte da jornalista.


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