Bangcoc, 20 mai (EFE).- As Nações Unidas e os países ocidentais persistem hoje com sua pressão sobre a Junta Militar birmanesa para que permita o desembarque de equipes militares com ajuda humanitária para os 2,4 milhões de desabrigados do ciclone Nargis.

Quatro navios militares dos Estados Unidos, um francês e outro britânico continuam ancorados a poucos quilômetros da costa de Mianmar (antiga Birmânia).

Os navios americanos, que transportam ainda 14 helicópteros, dois botes anfíbios e 120 médicos da Marinha, têm capacidade para purificar 265 mil litros diários de água para consumo humano.

As embarcações francesa e britânica contam com equipamento e pessoal especializado na assistência a zonas atingidas por desastres naturais.

A Junta se mostra reticente a permitir que os militares desembarquem em sua costa, mas poderia aceitar que países do sudeste da Ásia atuem como intermediários para desembarcar a ajuda.

Mianmar chegou a um acordo ontem com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) para autorizar a entrada de equipes de médicos e voluntários desta região nas zonas devastadas pelo ciclone.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que lamentou a situação das vítimas, viajará a Yangun na próxima quarta-feira para se reunir com membros do regime.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou no fim de semana que fará com que a ajuda chegue a Mianmar mesmo sem a autorização das autoridades birmanesas, caso o bloqueio continue por mais tempo.

A passagem do ciclone tropical "Nargis" pelo sul de Mianmar no dia 2 de maio deixou, segundo a ONU, mais de 100 mil mortos e de 2,5 milhões de deslocados.

Os dados oficiais da Junta Militar reconhecem até o momento 78 mil mortes e 56 mil desaparecidos.

Aterrissaram até o momento em Yangun 25 aviões da Cruz Vermelha, com 302 toneladas de provisões de ajuda essenciais.

A Junta, que limita a entrada no país de pessoal da ONU, controla a ajuda em seus armazéns e permite que apenas seus soldados distribuam alimentos entre os sobreviventes.

O porta-voz do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Marcus Prior, assegurou que 70% dos sobreviventes do ciclone continuam sem receber os alimentos enviados pela comunidade internacional, e a ONG Save the Children advertiu que milhares de crianças morrerão nas próximas semanas se não tiverem acesso à ajuda. EFE fmg/mh

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