Junta Militar que governa Mianmar diz ter obtido 80% dos votos

Moradores de cidades na fronteira que se refugiaram na Tailândia para fugir de confrontos começam a voltar para casa

iG São Paulo |

O partido apoiado pela Junta Militar de Mianmar anunciou nesta terça-feira que obteve 80% dos votos nas eleições do último domingo. A informação foi divulgada pela emissora de TV estatal. Em comunicado, o Partido da Solidariedade e Desenvolvimento da União, liderado pelo atual primeiro-ministro, o general reformado Thein Sein, disse estar "satisfeito" com o resultado.

Também nesta terça-feira, cerca de 20 mil moradores de Mianmar começaram a voltar ao país depois de fugirem para a Tailândia com medo de confrontos entre rebeldes e soldados. Os choques começaram quando rebeldes da minoria karen invadiram um posto de votação em uma delegacia na cidade de Myawaddy, perto da fronteira com a Tailândia. O objetivo era protestar contra a eleição.

AFP
Refugiados cruzam a fronteira da Tailândia para voltar para casa em Mianmar

A votação de domingo, a primeira realizada em duas décadas no país asiático, foi boicotada pelo principal partido de oposição, a Liga Nacional para a Democracia (LND). Vários países ocidentais condenaram o pleito, marcado por restrições às campanhas e acusações de irregularidades. Observadores internacionais e jornalistas estrangeiros não foram autorizados a acompanhar a votação.

O presidente americano, Barack Obama, disse que as eleições "não atenderam aos padrões reconhecidos internacionalmente" e a Grã-Bretanha afirmou que os resultados "já eram conhecidos previamente".

EUA e Austrália emitiram um comunicado conjunto pedindo pela libertação imediata de prisioneiros políticos, incluindo a vencedora do prêmio Nobel Aung San Suu Kyi, em prisão domiciliar. As autoridades birmanesas rejeitaram as candidaturas de partidos ligados a grupos étnicos minoritários e cancelaram a votação em áreas onde a composição étnica desfavorecem o governo. As autoridades eleitorais também teriam imposto limites à campanha do principal partido da LND, partido liderado por San Suu Kyi. Em 1990, seu partido venceu as eleições, mas foi impedido de assumir o poder.

Participaram da votação 37 partidos e cerca de 3 mil candidatos, sendo que dois terços deles concorrem em legendas apoiadas pela junta. A Constituição reserva mais de um quarto dos assentos no Parlamento aos militares e dezenas de generais deixaram recentemente o Exército para ingressar no principal partido pró-governo, a União para Solidariedade e Desenvolvimento (USD). A combinação destes dois grupos garantiria poder de veto sobre qualquer tentativa de mudança legislativas.

Com BBC e AFP

    Leia tudo sobre: tailândiamianmareleiçõesbirmaneses

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG