Junta Militar promete restaurar democracia na Mauritânia

Nuakchott, 28 nov (EFE).- Mohammed Ould Abdelaziz, presidente do Alto Conselho de Estado, mais alta instância governamental da Mauritânia, prometeu hoje restaurar a democracia depois das assembléia dos Estados Gerais, que definirão os critérios das eleições presidenciais.

EFE |

Em discurso pronunciado em comemoração ao 48º aniversário da independência mauritana, Ould Abdelaziz convidou a população civil a participar dos que se denominaram Estados Gerais, uma grande assembléia na qual estarão representados os diferentes segmentos da sociedade e que tem como missão refundar a democracia no país.

Segundo o chefe da Junta Militar, estas jornadas de "concertação" determinarão o futuro político do país e a saída da crise iniciada sob o regime do deposto Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdalahi.

Abdelaziz, novo "homem forte" da Mauritânia, após o golpe de Estado de 6 de agosto que derrubou Abdalahi, não precisou, no entanto, a data exata dos Estados Gerais, previstos, em princípio, para o início de dezembro.

Em seu discurso, o presidente do Alto Conselho de Estado comprometeu-se a lutar "com força" contra o terrorismo, a imigração clandestina, o tráfico de entorpecentes, a corrupção e a pobreza.

Prometeu também erradicar as seqüelas da escravidão, criar as condições adequadas para a inserção dos refugiados no Senegal e resolver a questão do chamado "passivo humanitário", que designa discriminação contra os negros mauritanos.

Seu discurso, que ocorreu após uma cerimônia à qual assistiram os embaixadores credenciados em Nuakchott, marca os 100 primeiros dias do movimento militar, nos quais a Junta consolidou seu poder, após enfrentar uma ativa oposição interna.

Sem se referir diretamente à Frente Nacional para a Defesa da Democracia (FNDD), mas em clara referência a essa coalizão opositora aos golpistas, o general acrescentou que "o recurso de alguns ao exterior reflete sua falta de confiança neles próprios e em seu povo, e seu déficit de credibilidade dentro do país".

Para o início de dezembro está anunciada a visita à Mauritânia de uma delegação da União Africana e da Liga Árabe, na qual ambas as organizações devem se encontrar tanto com Ould Abdelaziz como com o ex-presidente Abdalahi. EFE moo-mgr/jp

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