Junta militar de Mianmar veta encontro entre Ban Ki-moon e Suu Kyi

A junta militar birmanesa proibiu, neste sábado, que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se encontre com a líder opositora Aung San Suu Kyi durante sua passagem por Mianmar.

AFP |

Reuters

Secretário da ONU, general Ban Ki-moon, fala em Yangon,
antes de encerrar sua viagem de dois dias em Mianmar

Ban disse que a decisão "é um revés para a comunidade internacional e uma oportunidade desperdiçada pelas autoridades birmanesas".

"Estou profundamente decepcionado", declarou, no último dia de sua visita ao país.

O secretário-geral das Nações Unidas informou a imprensa sobre a negativa da junta, após um segundo encontro com o general Than Shwe na nova capital, Naypyidaw.

Para justificar o veto ao encontro, a junta alegou que Suu Kyi é alvo de um processo judicial.

A líder da oposição birmanesa foi julgada e está detida desde maio na prisão de Insein (norte de Yangon), por uma suposta violação de sua prisão domiciliar, depois de ter hospedado um americano em sua casa.

Suu Kyi pode ser condenada a até cinco anos de prisão, a um ano das eleições prometidas pela junta.

A negativa da junta militar ao pedido de Ban foi um balde de água fria em sua missão, cujo objetivo era tentar mudar o panorama político e de liberdades civis em Mianmar. Além disso, o fracasso do secretário-geral pode prejudicar seu prestígio no plano internacional.

Antes de se reunir com o general birmanês, Ban discursou para um grupo de diplomatas em Yangon.

"Estou aqui hoje para dizermos: Mianmar, você não está sozinha. Queremos trabalhar com você para que se torne uma nação unificada, pacífica, próspera, democrática e moderna", disse Ban.

Mas, ponderou, "o balanço de Mianmar em matéria de direitos humanos continua sendo um assunto de grande preocupação".

"Para serem críveis, as próximas eleições - as primeiras em 20 anos - devem (...) garantir a participação de todos e serem transparentes", declarou.

Ban já deixou Mianmar, de onde seguiu para Bangcoc.

Aung San Suu Kyi, de 64 anos, secretária-geral da Liga Nacional para a Democracia (LND) e prêmio Nobel da Paz, passou mais de 13 dos últimos 19 anos presa.



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