Junta Militar de Mianmar suspende prisão domiciliar de opositora

Bangcoc, 26 mai (EFE).- A Junta Militar que governa Mianmar (antiga Birmânia) suspendeu hoje a prisão domiciliar que impôs à líder opositora e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi em 2003, mas a mantém detida enquanto é julgada por um crime que pode levar a até cinco anos de prisão, segundo a rádio Mizzima.

EFE |

"As autoridades militares birmanesas anunciaram esta manhã a anulação do articulo 10 b (do Código Penal), pelo qual Aung San Suu Kyi permanecia sob prisão domiciliar", disse o advogado Nyan Win, que defende a opositora birmanesa no tribunal especial estabelecido na prisão de Insein, nos arredores de Yangun.

"Isso quer dizer que a prisão domiciliar acabou. O resultado da anulação é que ela não estará por mais tempo amparada pela Lei de Proteção do Estado", disse o advogado.

A implicação da medida no julgamento da opositora não está muito clara, porque Suu Kyi, de 63 anos, é acusada de ter violado os termos de sua prisão domiciliar e sua defesa se fundamenta em que, se houve um intruso na casa dela, a culpa é dos corpos de segurança estatais que faziam a vigilância.

"Ela disse (na audiência oral de hoje) que não cometeu crime algum, porque estava detida pelas forças de segurança. Se a vigilância tivesse sido adequada, o americano não teria entrado", disse Nyan Win, em declarações a outro meio de comunicação da dissidência.

O americano John William Yettaw, de 53 anos, entrou na casa de Suu Kyi no início de maio e foi detido em 6 de maio.

Yettaw disse no julgamento dele que quis avisar a Suu Kyi que sua vida corria perigo, porque tinha tido uma premonição.

A ONU e Governos de todo o mundo pedem a libertação de Suu Kyi, desde que ela foi detida, colocada em Insein e acusada formalmente, há duas semanas, e a de todos os presos políticos do país, no total 2.156, segundo a Associação de Assistência aos Presos Políticos de Mianmar.

A Liga Nacional pela Democracia (LND), formação política de Suu Kyi, qualifica este julgamento de estratagema do regime para impedir a participação da opositora nas eleições legislativas do próximo ano, as primeiras que acontecerão desde 1990. EFE tai/an

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