Junta Militar de Mianmar pede participação popular em eleições

Bangcoc, 4 jan (EFE).- O chefe do regime militar de Mianmar, general Than Shwe, pediu hoje à população para que participe e vote de maneira responsável nas eleições legislativas que serão organizadas neste ano.

EFE |

"Todos os habitantes têm que fazer a escolha correta", ordenou o militar durante seu discurso oficial por ocasião do aniversário da independência de Mianmar, em 1948, segundo a versão digital do jornal tailandês "Bangcoc Post".

O general que dirige Mianmar desde 1992 aconselhou a população a permanecer "vigilante o tempo todo contra a ameaça dos neocolonialistas", termo que o Governo local usa regularmente na imprensa do país para falar do Ocidente.

Than Shwe não revelou se a data do pleito parlamentar, o primeiro no país em quase duas décadas, já foi definida.

Em 1990, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi e seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), venceram as eleições com 82% dos votos, mas o regime nunca reconheceu o resultado e, em vez de convocar o Parlamento eleito nas urnas, aumentou a perseguição contra opositores.

Suu Kyi foi condenada em agosto passado a 18 meses de prisão domiciliar. Ela passou 14 dos últimos 20 anos neste tipo de detenção, e a nova punição impedirá sua participação nas próximas eleições.

Além disso, a Junta Militar birmanesa aprovou uma nova Constituição em 2008 que impossibilita a opositora birmanesa de ser chefe de Estado por ter sido casada com um estrangeiro, o professor britânico Michael Aris, quem morreu de câncer em 1999.

Com vistas às próximas eleições, as autoridades pediram para que organizações e coletivos, assim como os grupos armados das maiores etnias do país, se transformem em partidos políticos.

Em setembro, o Governo birmanês selecionou cerca de 300 oficiais das Forças Armadas para fazer parte da lista de candidatos do Partido da Política Nacionalista, uma das legendas que o regime financia e promove com a finalidade de reforçar a presença dos militares no Legislativo.

De acordo com a Constituição birmanesa, o estamento militar tem direito a um quarto das cadeiras da Câmara.

A oposição democrática, liderada por Suu Kyi, e as principais minorias étnicas condenaram esta Carta Magna e anunciaram que boicotarão as eleições. EFE tai/bba

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