Junta Militar de Mianmar oculta da população autêntica magnitude de desastre

Yangun (Mianmar), 7 mai (EFE).- A Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) oculta da população a autêntica magnitude do desastre causado pela passagem do ciclone Nargis no delta do rio Irrawaddy, e os meios de comunicação estatais se limitam a informar sobre a existência de 22.

EFE |

500 mortos e 41 mil desaparecidos.

Os jornais em língua birmanesa, todos controlados pelo Estado, dedicam em suas edições diárias espaços nos quais informam sobre as visitas efetuadas pelos generais à região afetada, mas omitem a grande destruição causada pela passagem do ciclone.

Em sua cobertura diária, a imprensa escrita do país omite fotografias dos danos ou dos cadáveres e, por outro lado, destacam sempre as dos generais com as autoridades locais.

A televisão estatal divulga há dias as mesmas imagens de generais conversando com aldeães nos terrenos afetados e dos soldados levando fardos em suas costas.

O Governo militar também não permite que os birmaneses com antenas parabólicas em suas casas, autorizadas há vários anos, se inteirem do ocorrido por meio dos programas internacionais.

Os únicos canais estrangeiros cujos sinais não são bloqueados são a "RAI" da Itália, a "PTP" da Rússia e a "TVE" da Espanha, cujas transmissões são feitas em idiomas considerados ininteligíveis pela maioria dos birmaneses.

Por vezes, as autoridades liberam o sinal da "BBC", e o restabelecem pontualmente quando começa o informativo da cadeia.

Aos birmaneses que desejam saber o que ocorreu no sul do país, só resta o recurso de sintonizar rádios como a "BBC" e a "Voz da América".

Tal é o rigor em controlar o fluxo de informações dentro de suas fronteiras que um profissional da "BBC" foi expulso do país por ter entrado, na segunda-feira passada, com um visto de turista, já que os militares não concedem permissão a profissionais de imprensa estrangeiros. EFE mfr/gs

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