Junta militar de Guiné é acusada de crimes contra a humanidade

A Comissão de Investigação Internacional sobre o massacre de 28 de setembro no estádio de Conakry acusou as autoridades guineanas de crimes contra a humanidade, liberando a Corte Penal Internacional (CPI) para assumir o caso.

AFP |

"É razoável concluir que os crimes perpetrados em 28 de setembro e nos dias seguintes podem ser qualificados de crimes contra a humanidade", afirmou a Comissão nomeada pela ONU em relatório publicado nesta segunda-feira e transmitido ao Conselho de Segurança.

Em 28 de setembro, as forças de segurança da Guiné espancaram, esfaquearam e atiraram em opositores ao regime militar reunidos no maior estádio de Conakry para pedir que o presidente autoproclamado desde dezembro de 2008, o capitão Dadis Camara, não se candidatasse à eleição presidencial.

A Comissão de Investigação Internacional mencionou "pelo menos 156 mortos e desaparecidos, com 67 corpos entregues às famílias, outras 40 que foram vistas mortas no estádio e nos necrotérios, mas cujos corpos desapareceram, além de outras 49 vistas no estádio mas das quais não se tem mais notícias".

Ela ainda confirmou que "pelo menos 109 mulheres foram estupradas e sofreram violências sexuais, inclusive mutilações".

"Várias mulheres não resistiram aos ferimentos contraídos durante agressões sexuais particularmente cruéis", acrescentou.

A Comissão ainda denunciou as autoridades guineanas por terem "procurado destruir todas as provas das violações cometidas, ao limpar o estádio, sequestrar os corpos das vítimas de execuções, alterar deliberadamente documentos médicos e invadir hospitais e necrotérios".

A operação propagou um clima de medo na população, o que levou a Comissão a considerar que "o número de vítimas de todas estas violações é provavelmente muito mais elevado".

O relatório de 60 páginas apontou a "responsabilidade penal individual" de vários dirigentes guineanos, entre eles Dadis Camara, o tenente Abubacar Sidiki Diakité - mais conhecido como Tumba - e o ministro encarregado dos serviços especiais, o comandante Mussa Tiegboro Camara.

Segundo o texto, o tenente Tumba foi quem teve a participação mais ativa no massacre. "A violência no estádio começou quando ele chegou", afirmou a Comissão, destacando, citando testemunhas, que o militar "participou pessoalmente de vários ataques, e atirou à queima-roupa em alguns manifestantes".

A Comissão recomendou que o caso seja transmitido à CPI.

No dia 3 de dezembro, Dadis Camara foi baleado na cabeça pelo tenente Tumba, que está foragido desde então. O capitão permanece internado em Rabat, no Marrocos.

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