Junta militar consolida poder na Guiné e governo se apresenta em quartel

GUINÉ - Os militares golpistas consolidaram nesta quinta-feira sua autoridade na Guiné, ao conseguir com que o primeiro-ministro e os membros de seu gabinete acatassem a intimação de comparecer a um quartel militar.

AFP |

O golpe de Estado, executado na terça-feira, foi condenado pela comunidade internacional, mas duas importantes forças de oposição "tomaram nota" do fato, sem criticar o mesmo.

O primeiro-ministro, Ahmed Tidian Suaré, e seu governo, depois de se apresentar no quartel de Alfa Yaya Diallo, o campo militar onde a junta tem seu quartel-general em Conacri, foram recebidos à tarde pelo presidente autoproclamado, Mussa Dadis Camara.

"Ontem, eram vocês, hoje somos nós. Nós os ajudamos, vocês devem nos ajudar", declarou o capitão Camara aos 30 membros do gabinete diante da imprensa.

Suaré e seus ministros escutaram a declaração em silêncio. Eles se levantaram quando Camara apareceu e sentaram quando o novo homem forte de Conacri ordenou que o fizessem.

Mais tarde, todo o grupo deixou o quartel de Alfa Yaya Diallo e o paradeiro de todos é desconhecido.

Ao mesmo tempo, a calma parece reinar em Conacri, onde o tráfego de veículos foi retomado progressivamente com a reabertura dos postos de gasolina.

A presença militar era discreta. Muitos policiais permanecem diante do quartel de Almamy Samory Turé, onde segundo fontes oficiais estaria o corpo do general presidente Lansana Conté, cuja morte foi anunciada na terça-feira, poucas horas antes do golpe de Estado.

A incerteza prossegue a respeito do destino dos homens ligados a Conté, que governou a Guiné com mão-de-ferro por 24 anos.

Na manhã desta quinta-feira, os membros do governo deposto se reuniram na casa do premier Souaré, na periferia de Conacri, e de lá seguiram em seus veículos para o campo de Alfa Yaya Diallo, seguidos por militares.

Os militares golpistas ordenaram na quarta-feira a "todos os oficiais generais do Exército" e aos "membros do governo" que se apresentassem ao quartel militar nas próximas 24 horas, com a advertência de que após este prazo aconteceria uma operação em todo o país.

O ultimato foi divulgado pelo Comitê Nacional pela Democracia e o Desenvolvimento (CNDD, junta), dirigido pelo capitão Moussa Dadis Camara, que se declarou presidente de República na quarta-feira à noite.

Camara anunciou na quarta-feira a dissolução do governo.

Em sua primeira entrevista coletiva, Camara celebrou o "apoio" demonstrado aos golpistas por milhares de habitantes de Conacri.

Duas importantes forças de oposição ao regime de Conté - a Coalizão de Forças Vivas pelas Mudança (CFC) e a Aliança Nacional pela Alternância Democrática (ANAD) - "tomaram nota" do golpe de Estado e pediram à junta que organize eleições livres dentro de um ano.

A CFC é liderada por Alpha Condé, um opositor detido em 1998 e liberado em 2001 graças à pressão da comunidade internacional. A ANAD é o grupo de Sidya Turé, primeiro-ministro de 1996 a 1999.

A comunidade internacional condenou duramente os golpistas: o Canadá denunciou a situação, a União Africana (UA) pediu sanções "firmes" contra a junta e a França pediu eleições livres e transparentes o mais rápido possível.

O presidente da UA, Jean Ping, deve assistir na sexta-feira em Conacri ao funeral nacional do presidente Conté.

lbx-bm/fp

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