Chefe dos militares responsáveis pelo golpe de Estado, Amadou Haja Sanogo, convocou forças políticas para debater futuro do país

O chefe da junta militar que controla Mali desde 22 de março , Amadou Haja Sanogo, ameaçou nesta segunda-feira julgar por alta traição o presidente deposto Amadou Toumani Touré e convocou as forças políticas do país para uma convenção para a próxima quinta-feira.

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Civis celebram golpe de Estado dado por junta military em Bamaco (21/3)
AP
Civis celebram golpe de Estado dado por junta military em Bamaco (21/3)
Em declaração à imprensa feita na base militar de Kati (a cerca de 15 quilômetros da capital Bamaco), onde foi iniciado no dia 21 de março o golpe que derrubou Touré, Sanogo disse que o ex-presidente de Mali será julgado por alta traição e desvio de fundos.

O paradeiro de Touré é desconhecido e Sonogo não deu informações sobre sua localização. O segundo e último mandato de Touré terminaria no final deste mês, depois das eleições que estavam previstas para abril.

O chefe da junta militar disse ainda que na convenção nacional se definirá o futuro do país "de uma maneira pactuada, democrática e com total liberdade". Sanogo convocou os representantes "da classe política e todos os atores da sociedade civil, sem exceção," a participar da reunião.

O militar ressaltou que "as conclusões da convenção serão aceitas por todos" e acrescentou que nela também será discutida a integridade territorial e a situação da segurança no norte do país, em referência à rebelião tuaregue que foi deflagrada nas principais cidades da região.

Insurreição

Em 17 de janeiro, o grupo independentista tuaregue Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA) pegou em armas para exigir a autodeterminação da metade do norte de Mali, um território de 850 mil quilômetros quadrados.

Após o vácuo de poder provocado pelo golpe de Estado liderado pelo capitão Sanogo, rebeldes tuaregues, assim como outros grupos independentistas salafistas como o Ansar al Din e terroristas como a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) , intensificaram sua ofensiva e tomaram o controle das localidades de Kidal, Gao e Tombuctu.

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O chefe da junta militar pediu ainda diálogo e fim do embargo da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental ( Cedeao ), que determinou o bloqueio contra Mali para forçar a junta militar a restaurar a ordem política e constitucional no país.

O bloco africano impôs na segunda-feira sanções econômicas, diplomáticas e financeiras a Mali, com o objetivo de que a ordem constitucional seja restabelecida no país. Segundo Sanogo "a frágil economia do país não pode suportar" o embargo, que prejudica a maioria da população.

*Com EFE

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