Junta Militar acusa dissidência de planejar invasão à casa de Suu Kyi

Bangcoc, 22 mai (EFE).- O regime militar de Mianmar (antiga Birmânia) acusou a dissidência de planejar a invasão à casa da líder do movimento democrático e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, quando ela cumpria pena de prisão domiciliar, informou hoje o diário A Nova Luz de Myanmar.

EFE |

"O mais provável é que elementos antigovernamentais internos e externos planejaram o incidente para aumentar a pressão internacional sobre Mianmar", disse o ministro de Assuntos Exteriores birmanês, Nyan Win, a seu colega japonês, Hirofumi Nakasone, segundo o jornal, que é controlado pelo Estado.

John William Yettaw, de 53 anos, foi detido em 6 de maio após abandonar a casa da líder opositora quando retornava nadando pelo lago Inya.

Na semana passada, as autoridades acusaram formalmente Suu Kyi de descumprir os termos de sua detenção quando permitiu que o americano dormisse em sua casa.

A detenção e o julgamento da Nobel da Paz de 1991 ocorrem a duas semanas do fim de sua mais recente prisão domiciliar, punição que cumpriu durante mais de 13 dos últimos 19 anos.

Governos de todo o mundo e organizações internacionais, com as Nações Unidas à frente, condenaram o processo e pediram a libertação imediata da líder opositora.

Ontem, na quarta e última audiência desta semana, foi exibido um vídeo de Yettaw gravado na casa de Suu Kyi, apesar de ela não ter o autorizado a isso.

"Ela está nervosa, sinto muito por isso", disse o próprio Yettaw durante a gravação, segundo relatou o advogado Nyan Win, um dos defensores de Suu Kyi.

O americano também afirmou durante o julgamento que se entrou na casa da opositora porque tinha tido uma premonição.

"Tive uma visão de que Aung San Suu Kyi seria assassinada. Por isso vim aqui", afirmou.

A defesa de Suu Kyi alega que sua cliente permitiu que Yettaw passasse a noite em sua casa por compaixão, porque percebeu que ele estava muito cansado após atravessar nadando o lago Inya e não poderia retornar.

Além disso, os defensores dizem que a culpa pela invasão é das autoridades, que são responsáveis pela segurança da casa. EFE grc/mh

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