Junta de Mianmar inicia novo julgamento contra Suu Kyi

A junta militar birmanesa, que ocupa o poder desde 1962, iniciou nesta segunda-feira um novo julgamento contra a líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, que pode ser condenada a cinco anos de prisão pela suposta violação das condições de sua prisão domiciliar.

AFP |

O julgamento contra a líder opositora de Mianmar, de 63 anos e com a saúde frágil, por ter permitido a presença de um americano em sua casa acontece na penitenciária de Insein, que vetou o acesso de quatro embaixadores europeus.

"O julgamento começou", afirmou à AFP uma fonte do governo que pediu anonimato. A primeira audiência do processo durou cinco horas.

Dezenas de milhares de partidários da Nobel da Paz de 1991 se reuniram nas imediações da penitenciária, apesar da forte presença de policiais e das barreiras montadas para bloquear o acesso ao local. Um joven militante foi detido, segundo a Liga Nacional para a Democracia (LND), o partido político de Suu Kyi.

As medidas de segurança foram consideravelmente reforçadas em toda a cidade e o Exército impediu a entrada de representantes da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália.

Uma fonte diplomática, que pediu anonimato, protestou afirmando que em um "Estado de direito as audiências judiciais são públicas".

Na quinta-feira, Suu Kyi foi levada de sua casa, onde estava em prisão domiciliar desde 2003, para Insein, onde foi indiciada pela estranha invasão de sua casa por um mórmon americano, John Yettaw, que teria chegado a nado à residência e permaneceu dois dias no local, segundo as autoridades.

Suu Kyi declarou inocência por meio do advogado Kyi Win.

Se for considerada culpada, a Prêmio Nobel da Paz pode ser condenada a uma pena de até cinco anos de prisão. O americano John Yettaw também pode ser sentenciado a uma pena similar.

Em Bruxelas, o ministro tcheco das Relações Exteriores, Jan Kohout, cujo país preside atualmente a União Europeia (UE), afirmou que os europeus estavam dispostos a endurecer as sanções contra o regime birmanês.

No entanto, algumas horas depois a comissária europeia das Relaciones Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, se manifestou contra este tipo de medidas e defendeu um fortalecimento do diálogo com os países vizinhos de Mianmar, como China ou Índia.

Aung San Suu Kyi foi privada da liberdade durante mais de 13 anos. Com este julgamento pelo caso Yettaw, pode ser condenada a uma pena de até cinco anos de prisão, o que a deixaria de fora das polêmicas eleições que a junta militar pretende organizar em 2010. O período de prisão domiciliar terminava, em tese, no dia 27 de maio.

Um relatório policial sobre o caso Yettaw destaca duas visitas do americano, um ex-combatente da guerra do Vietnã e adepto da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons).

Na segunda visita, de 3 a 5 de maio segundo as autoridades, Suu Kyi teria oferecido comida e bebida ao visitantes, em uma infração das normas da prisão domiciliar.

hla-ras/fp

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