Junta da Guiné promete punir corruptos e adia reunião com estrangeiros

O chefe da junta no poder na Guiné, capitão Mussa Dadis Camará, criticou duramente, neste sábado, os que se enriqueceram sob o regime do falecido presidente Lansana Conté, garantindo que serão punidos, e adiou uma reunião prevista com enviados internacionais.

AFP |

O capitão Camará fez a denúncia em seu primeiro discurso público, realizado na base militar Alfa Yaya Diallo, de Conacri, diante de cerca de mil pessoas, que representavam partidos políticos, sindicatos, confissões religiosas e organizações da sociedade civil desse país do oeste da África.

A reunião da junta com enviados da comunidade internacional, inicialmente prevista para este sábado, foi adiada para a próxima terça-feira.

"Qualquer pessoa que queira malversar os bens do Estado em seu benefício, se for pega, será julgada e punida na frente do povo", afirmou Camará, líder dos militares que deram um golpe de Estado, sem violência, na última terça, um dia depois do falecimento de Conté, que governou o país por 24 anos.

No discurso, Camará fez um minuto de silêncio em homenagem a Conté, mas atacou os ministros do falecido presidente.

"Em um momento em que o presidente (morto aos 74 anos, após uma longa doença) estava cansado, todas as pessoas que o cercavam encheram os bolsos", atacou.

Gritos de "bravo" e "obrigado" acolheram as palavras de Camará, que se autoproclamou presidente da Guiné e se comprometeu, diante do público presente, a rever as finanças públicas, além de lutar contra os traficantes de drogas.

Ele garantiu que o golpe de Estado foi realizado, devido à "notória corrupção do governo e à irresponsabilidade e à incapacidade da Assembléia Nacional".

Camará pediu aos partidos que apresentem seus "projetos de sociedade" e conversem entre si sobre a organização de eleições legislativas. "Vocês nos dirão em que momento se deve convocar essa eleição", afirmou.

O autoproclamado presidente anunciou a renegociação dos contratos de mineração, fundamentais para a economia nacional, que tem mais de um terço das reservas mundiais de bauxita, além de importantes reservas de ouro, diamante, ferro e níquel.

"Não haverá mais extração de ouro até nova ordem", anunciou.

Camará declarou ainda que o porto autônomo de Conacri sofrerá uma "revisão de contratos", que poderá dar lugar a sua possível "anulação".

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