Junta da AIEA debate sobre atividades nucleares de Irã e Síria

Viena, 2 mar (EFE).- O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) inicia nesta segunda-feira sua reunião ordinária marcada pelos conflitos em torno das polêmicas atividades nucleares de Irã e Síria.

EFE |

A estagnação da cooperação entre Teerã e AIEA denunciado pelos inspetores do organismo em seu último relatório será debatido pelos 35 países-membros da Junta.

Além disso, a comunidade internacional está preocupada que, segundo o mesmo relatório, a República Islâmica já tenha produzido mais de uma tonelada de urânio pouco enriquecido, o que abriu espaço para divergentes opiniões sobre a possibilidade de que o Irã já conte com material suficiente para produzir uma bomba atômica.

Assim, inclusive na Administração americana ficam evidenciadas diversas posturas.

O Pentágono, segundo afirmou ontem o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, o almirante Mike Mullen, acredita que o Irã obteve material nuclear suficiente para construir uma bomba.

"Com franqueza, achamos que o têm", disse Mullen em declarações à "CNN".

No entanto, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, considerou, também ontem, que o Irã não está perto de conseguir uma arma nuclear neste momento, e defendeu o aumento das sanções ao país para que abandone seu programa nuclear.

Enquanto isso, Teerã insiste em que seus trabalhos nucleares só têm fins pacíficos, como a geração de energia elétrica, enquanto as principais potências mundiais estudam adotar novas sanções contra o Irã pela falta de cooperação.

Por sua parte, a Junta, que é o órgão executivo da AIEA, dá uma atenção crescente à situação na Síria, depois que os inspetores do organismo detectaram nos restos da instalação de Al Kibar, destruída em setembro de 2007 por Israel, rastros de urânio e de grafite.

Esses dois materiais, em ambos os casos não naturais mas produzidos artificialmente, poderiam ser um indício que Damasco estava construindo uma instalação nuclear no local, como denunciam Estados Unidos e Israel.

Mas a Síria continua insistindo que Al Kibar era apenas um complexo militar convencional e se nega a aceitar mais inspeções da AIEA na região, situada no norte do país árabe.

Os 35 governadores analisarão, além disso, a sucessão do diretor-geral da AIEA, o egípcio Mohamed ElBaradei, cujo terceiro mandato vence em novembro deste ano. EFE jk-wr/ma

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