Junta birmanesa afirma ter alertado população para passagem de ciclone

Genebra, 7 mai (EFE).- Criticadas por não terem tomado medidas preventivas perante a iminente passagem do ciclone Nargis, que causou dezenas de milhares de mortes no país, as autoridades de Mianmar afirmaram hoje ter avisado à população com três dias de antecedência sobre o fenômeno, disse hoje um representante da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

EFE |

No entanto, este organismo especializado das Nações Unidas "não pôde confirmar essa informação com fontes independentes", segundo disse o diretor da Divisão de Redução de Riscos da OMM, Dieter Schiessl, em entrevista coletiva em Genebra.

Segundo Schiessl, o chefe da Direção de Meteorologia e Hidrologia de Mianmar, U Tun Lwin, afirma que a imprensa local divulgou desde o dia 1º de maio informações alertando para a passagem do ciclone, e que esse tema ocupou as primeiras páginas dos jornais.

Com esta informação, as autoridades birmanesas procuram desmentir que o grande número de vítimas - mais de 22.500 mortos e de 41 mil desaparecidos - se deveu à falta de informação da população sobre a magnitude do ciclone que se aproximava.

Sobre isso, Schiessl disse que, embora essa informação pareça, efetivamente, ter sido divulgada pela imprensa, "não se sabe como foi utilizada e se realmente chegou à população".

A Junta Militar que governa Mianmar mantém o país isolado há décadas, o que torna muito difícil que a ONU e outros organismos internacionais possam saber o que realmente ocorre ali.

O representante da OMM disse que só era possível confirmar que as autoridades meteorológicas birmanesas contavam com toda a informação técnica de que precisavam para preparar um plano de resposta.

"Mas, de fora, não se sabe como isso foi tratado. Os dados sobre o ciclone 'Nargis' foram transmitidos a eles pelo Departamento Meteorológico da Índia, que administra o sistema de alarme prévio para os países do Golfo de Bengala", disse Schiessl.

"Assumimos que o Serviço Nacional de Meteorologia lançou o alerta e informou as autoridades de aviação, portos e outras infra-estruturas básicas, mas não tenho a confirmação", declarou.

"Portanto não podemos concluir ainda se houve boa ou má resposta por parte das autoridades", acrescentou.

O analista da OMM disse que, diante de uma ameaça natural como o ciclone "Nargis", não é suficiente antecipá-la, mas é preciso "contar com meios para proteger a vida da população", o que inclui "planos de evacuação e a existência de lugares que possam ser utilizados como refúgio em caso de uma alta do nível do mar".

Ainda segundo Schiessl, "é difícil acreditar que isto existia em Mianmar, particularmente nas zonas rurais".

Além disso, o diretor disse que a falta de preparação também pode se dever ao fato de que "a incidência de ciclones na região é muito baixa", como indicam as estatísticas.

"Calcula-se que um ciclone passe pela costa de Mianmar a cada 40 anos", revelou. EFE is/ev/gs

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