Julgamento de terrorista de Mumbai continua, apesar de confissão

Nova Délhi, 23 jul (EFE).- O tribunal especial que julga o paquistanês capturado durante o ataque terrorista à cidade indiana de Mumbai em novembro de 2008 aceitou hoje registrar as revelações do acusado e esclareceu que o julgamento continuará, segundo o planejado.

EFE |

Mohammed Ajmal Amir, conhecido como Kasab, se declarou na segunda-feira passada "culpado" perante o juiz e começou a relatar o massacre em Mumbai, que deixou 166 mortos, de forma muito semelhante à versão dos fatos das autoridades indianas.

"Não quero castigo divino. Enforquem-me, por favor, pelos meus crimes", disse, durante a audiência da quarta-feira, segundo a agência de notícias "Ians".

Até o momento, a promotoria analisou o depoimento de 134 testemunhas do ataque e ainda restam os de outros 15 a serem estudados, disse hoje à imprensa o promotor especial Ujjwal Nikam.

A promotoria acusou Kasab de tentar proteger os cérebros do ataque com seu testemunho e de ter minimizado seu relato, ao afirmar que os nomes que apresentou já eram conhecidos.

"Não está dizendo toda a verdade. Minimizou inteligentemente seu papel (no ataque) para que o castigo fosse menor ou salvar" seus chefes, argumentou ontem o promotor.

Kasab admitiu que fez parte do comando terrorista de dez membros que atacou diferentes pontos do sul de Mumbai, mas atribuiu a seus companheiros - todos mortos pelas forças de segurança - a maioria dos crimes.

Na segunda-feira, Kasab também ofereceu à corte especial os nomes de quatro organizadores do atentado, entre eles o de Zakiur Rehman Lakhvi, comandante do grupo caxemiriano Lashkar-e-Toiba (LeT), considerado desde o início pela Índia como o cérebro do massacre.

Apenas outros dois indianos - Fahim Ansari e Sabahuddin Ahmed, que supostamente deram apoio logístico ao comando terrorista - foram detidos pelo atentado de 2008 no gigante asiático, mas o Paquistão realiza uma investigação paralela que levou a mais detenções em seu território.

Segundo o tribunal indiano que dirime, o ataque contra hotéis de luxo, restaurantes, um hospital e um centro de estudos judaico em Mumbai matou 166 pessoas. EFE daa/an

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