Julgamento de nazista é interrompido pela 3ª vez

Berlim, 3 fev (EFE).- O julgamento contra o suposto criminoso nazista de origem ucraniana John Demjanjuk, de 89 anos, foi interrompido hoje pela terceira vez desde seu início, em 30 de novembro, devido ao precário estado de saúde do acusado.

EFE |

O tribunal de Munique suspendeu a audiência desta terça-feira a pedido do advogado de ofício do processado, Günther Maull, o qual alegou que Demjanjuk sofria enjôos e que seus exames de sangue apontavam fraqueza.

Demjanjuk está preso provisoriamente desde maio de 2009, quando foi entregue pelos Estados Unidos à Justiça alemã. Até agora, ele compareceu a seu julgamento em cadeira de rodas ou deitado em uma maca e não deu declaração alguma exceto para expressar dor ou mal-estar por meio de seu intérprete do ucraniano para o alemão.

O julgamento começou no dia 30 de novembro marcado pela incerteza sobre seu desenrolar, tanto pela avançada idade do acusado, como pela falta de sobreviventes que possam identificá-lo como o suposto "Trawniki" ou guarda voluntário do campo de extermínio nazista de Sobibor, na Polônia ocupada.

A Promotoria o acusa de ter sido cúmplice na morte de 27.900 judeus nesse campo no período de seis meses em que supostamente serviu como guarda e sustenta sua acusação fundamentalmente em sua folha de serviços, correspondente ao período entre março e outubro de 1943.

Dois sobreviventes do campo, Thomas Blatt e Philip Bialowitz, de 82 e 84 anos, prestaram depoimento como testemunhas. Ambos relataram as crueldades cometidas pelos temidos "Trawniki", em sua maioria ex-soldados soviéticos que passaram de presos dos nazistas a cúmplices de seus atos, mas não identificaram Demjanjuk como um deles.

Ao contrário de outros campos nazistas, Sobibor foi destinado exclusivamente ao extermínio de judeus deportados de toda a Europa, que eram mortos em câmaras de gás pouco depois de chegarem ao campo.

Blatt esteve entre os poucos sobreviventes porque foi empregado como funcionário da limpeza. Além disso, esteve entre os quase 200 presos que participaram de uma revolta contra a SS, em outubro de 1943, depois da qual o campo foi desativado.

Nascido na Ucrânia em 1920, Demjanjuk foi capturado pelos nazistas em 1942 e supostamente foi guarda em vários campos.

Nos anos 50, emigrou para os EUA como vítima do nazismo, e mudou seu nome de batismo, Ivan, pelo de John.

Em 1975, foi identificado como suposto criminoso nazista e foi extraditado a Israel, onde foi processado e condenado a morrer na forca, em 1988.

Após cinco anos no corredor da morte, sua condenação foi revogada por falta de provas. EFE gc/bba

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