Julgamento de Fritzl é retomado a portas fechadas

ST. POELTEN - O julgamento de Josef Fritzl, o austríaco acusado de ter mantido a filha em cativeiro por 24 anos no porão de sua casa, foi retomado nesta terça-feira, por volta das 5h (horário de Brasília). A sessão ocorre a portas fechadas.

Redação com agências internacionais |

AP
No segundo dia de julgamento, Fritzl voltou a cobrir o rosto

No segundo dia de julgamento, Fritzl voltou a cobrir o rosto

Durante a manhã, segundo o cronograma, Fritzl deve continuar a assistir a novos trechos do depoimento da filha Elisabeth. A expectativa é de que defesa e promotoria continuem com suas estratégias.

Rudolf Mayer, advogado de Fritzl, vai insistir em caracterizá-lo como vítima de uma infância problemática que conseguia demonstrar em pequenos gestos o afeto que sentia pela família que mantinha presa.

Na primeira sessão do julgamento, Fritzl contou, em voz quase inaudível, que apanhava de sua mãe na infância. Quando a juíza perguntou se ele tinha algum amigo, ele simplesmente respondeu "não".

Já a promotora Christiane Burkheiser buscará ilustrar os horrores sofridos por Elisabeth e seus filhos durante o longo período em cativeiro. Na segunda-feira, Burkheiser afirmou que Fritzl "não demonstrou qualquer sinal de arrependimento ou consciência de que teria feito algo errado".

Nesta terça-feira, o clima em frente no tribunal está mais calmo em relação ao dia anterior. A imprensa continua presente em peso, mas as manifestações pacíficas de algumas ONGs que aconteceram no dia de abertura do julgamento não devem se repetir.

Veredicto

Especialistas acreditam que o veredicto pode sair já na próxima quinta-feira, um dia antes do previsto. No primeiro dia de julgamento foram exibidos alguns trechos do depoimento que Elisabeth gravou em vídeo, o que só estava previsto para acontecer nesta terça-feira.

Assim, toda a sequência planejada está adiantada. Os peritos da polícia que examinaram o cativeiro e também os psiquiatras que fizeram um perfil psicológico do acusado foram convocados para ficar de prontidão no tribunal de justiça. É provável que eles deem seus primeiros depoimentos nesta terça.

Fritzl foi preso em abril do ano passado, quando veio à tona a história de que ele manteve Elisabeth presa por 24 anos, período em que a estuprou repetidas vezes e em que ela teve sete filhos, frutos do incesto.

Ele levou três dos filhos de Elisabeth para morar em casa, enquanto outras três crianças permaneceram no porão com a mãe. O sétimo filho morreu pouco depois de nascer.

O réu, que é acusado de seis crimes, já se declarou culpado de incesto e parcialmente culpado de estupro, mas nega as acusações de assassinato e prática de escravidão.

Fritzl também é acusado de assassinato por negligência por causa da morte do bebê, que apresentou problemas respiratórios pouco depois de nascer mas não recebeu cuidados médicos.

Alguns especialistas acreditam que será difícil provar a acusação, que poderia levar a prisão perpétua. A pena para a prática de escravidão pode chegar a 20 anos, e a pena por estupro pode chegar a 15 anos.

(Com informações da BBC e da EFE)

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