Julgamento de espiões por seqüestro é novamente adiado em Milão

Roma, 3 dez (EFE).- Foi novamente adiado o julgamento a ex-agentes dos serviços secretos italianos e da americana CIA pelo seqüestro do imã Abu Omar, que seria realizado hoje em Milão.

EFE |

O juiz de Milão Oscar Magi decidiu adiar a audiência até 18 de maio, enquanto aguarda uma resposta do Tribunal Constitucional sobre o segredo de Estado imposto sobre o caso pelo Governo italiano que, uma vez aprovado, impedirá a revelação de qualquer tipo de operação dos serviços secretos do país.

A Procuradoria de Milão havia pedido ao Tribunal Constitucional que se pronunciasse sobre este conflito de competências, pois considera que "o segredo de Estado não se pode alegar em relação a fatos subversivos da ordem constitucional, como o seqüestro de uma pessoa".

Em 26 de setembro de 2007, o Constitucional admitiu estudar o recurso apresentado pela Procuradoria, mas ainda não tomou nenhuma decisão.

O processo, que começou em 8 de junho de 2007, foi interrompido em numerosas ocasiões devido a tanto os acusados como as pessoas intimadas a depor alegarem segredo de Estado para não prestar declaração.

Durante a audiência de hoje, um dos principais acusados, Nicolò Pollari, ex-chefe dos serviços secretos militares italianos (Sismi), explicou através de seu advogado que "o presidente do Governo (Silvio Berlusconi) é o único que impõe o segredo de Estado e que lhe ordenou que o respeite".

Há algumas semanas, Berlusconi reiterou por carta, lida durante o processo, que as relações entre serviços secretos italianos e estrangeiros estão sob segredo de Estado para "garantir a credibilidade nas relações internacionais" e pediu aos agentes que respeitem esse silêncio.

Perante a nova negativa de um dos acusados em depor, um dos promotores do caso, Armando Spataro, denunciou diretamente Silvio Berlusconi, e seu antecessor, Romano Prodi, por utilizar o segredo de Estado para "obstaculizar a justiça".

O seqüestro do imã Abu Omar é o primeiro caso dos chamados "vôos da CIA" que se julga na Europa, e há 35 acusados, entre eles 26 agentes dos serviços secretos americanos, que o Tribunal milanês processou a revelia por não apresentarem ao processo.

Entre os acusados estão, além de Pollari, o ex-número um do serviço de contra-espionagem Marco Mancini, o ex-responsável da CIA na Itália Jeff Castelli, e seu assistente em Milão, Robert Seldon Lady.

Abu Omar foi seqüestrado em 2003 em Milão, supostamente por agentes da CIA, e levado ao Egito, onde foi preso e sofreu torturas, segundo ele próprio denunciou, após ser libertado no início de 2007.

EFE ccg/jp

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