Julgamento de chefe do Khmer Vermelho ficará pronto para sentença em 1 mês

Phnom Penh, 20 ago (EFE).- O julgamento contra o chefe de tortura do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, ficará pronto para sentença em pouco mais de um mês e a decisão serpa pronunciada no início de 2010, disseram hoje fontes do tribunal internacional promovido pela ONU que o julga, no Camboja.

EFE |

Um porta-voz do tribunal disse aos jornalistas, em Phnom Penh, que as audiências do julgamento de Duch "podem acabar no final de setembro ou início de outubro".

Embora seja possível discordar sobre a condenação a ser imposta a Kaing, de 66 anos, pelos juízes - três cambojanos e dois estrangeiros selecionados pela ONU - ficou claro durante o processo que haverá uma decisão condenatória.

Duch confessou durante as audiências que ordenou a execução de pessoas e que ele mesmo torturou. Também reconheceu que seus subordinados mataram dezenas de bebês achatando seus crânios contra as árvores dos chamados "campos de extermínio".

No entanto, esse ex-professor de matemática negou reiteradamente que tenha participado da tomada de decisões da cúpula do Khmer Vermelho e sempre defendeu que apenas cumpria as ordens que recebia.

"Se há uma tradição cambojana, como a que existiu no passado de apedrejar Cristo, o povo cambojano pode fazer o mesmo comigo, eu aceitarei", disse na audiência de 12 de agosto Kaing, que dirigiu o temido centro para onde a organização enviava presos políticos e por onde passaram pelo menos 14 mil pessoas, com a morte de quase todas.

Duch é a pessoa de menor categoria entre os cinco ex-membros do Khmer Vermelho que o tribunal pretende julgar por envolvimento no genocídio no Camboja, onde 1,7 milhão de pessoas morreram por causa da crise de fome, doenças e expurgos ordenados pelo regime que governou o país de 1975 até 1979.

Ainda devem ser julgados Khieu Samphan, ex-chefe do Estado; Nuon Chea, ideólogo da organização; Ieng Sary e sua esposa, Ieng Thirith, ex-ministro de Exteriores e ex-titular de Assuntos Sociais, respectivamente.

Pol Pot, o "irmão número um" e líder do Khmer Vermelho, morreu na selva cambojana em 1998. EFE jcp/an

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