Trata-se da segunda vez que primeiro-ministro não comparece a uma audiência do caso; defesa reforçou pedido para processo passar para Tribunal de Ministros

O julgamento do caso Ruby, no qual o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, é acusado de incitação à prostituição de menores e abuso de poder, foi retomado nesta terça-feira em Milão com a ausência do líder.

Através de seus advogados, Berlusconi apresentou perante o Tribunal uma declaração na qual explicou que estava "ocupado na cúpula bilateral entre Itália e Romênia" e "consentia" que a audiência fosse realizada sem sua presença.

Segundo a defesa, o suposto crime de abuso de poder deveria ser julgado por um Tribunal de Ministros, já que Berlusconi atuou por "motivos institucionais" quando, em 27 de maio de 2010, fez um telefonema para que soltassem a jovem marroquina Karima El-Mahroug. Conhecida como Ruby, a jovem marroquina seria parente do presidente egípcio na ocasião, Hosni Mubarak, segundo informou o premiê italiano. 

Durante sua exposição, Niccolò Ghedini, um dos advogados do líder, solicitou que o caso seja trasladado ao Tribunal de Ministros se for considerado que Berlusconi fez essa ligação como "presidente do governo" e que o líder seja absolvido da acusação de abuso de poder se sustentarem que fez a ligação como "cidadão privado".

Ghedini afirmou ainda que existem várias testemunhas que confirmam a convicção de Berlusconi de que Ruby era a sobrinha de Mubarak, entre elas vários ministros e um intérprete.

O advogado também apresentou uma alegação sobre suposta "falta de competência" da Promotoria de Milão. Segundo ele, a Câmara dos Deputados havia determinado o caráter "ministerial" do suposto abuso de poder ao rejeitar a solicitação da Promotoria de investigar as dependências de Giuseppe Spinelli, homem de confiança de Berlusconi que cuidava dos assuntos relativos à família do primeiro-ministro, para buscar documentos comprometedores. "A Promotoria deveria ter enviado o fascículo ao Tribunal de Ministros", ressaltou.

Primeira audiência

Na primeira audiência do caso Ruby, em 6 de abril, Berlusconi também não compareceu. O processo começou a ser analisado peloor um tribunal de Milão, mas nem o premiê nem Ruby estiveram presentes na audiência.

O líder alegou, por meio de seus advogados, que não participaria da audiência porque estaria em uma reunião ministerial em Roma. A advogada de Ruby, Paola Boccardi, não explicou o motivo da ausência de sua cliente, mas informou que não se constituirá parte civil no julgamento.

Se for considerado culpado Berlusconi pode ser condenado a até 15 anos de prisão, mas analistas políticos esperam um processo demorado, atravancado por atrasos e apelações.

*Com EFE

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