Roma, 19 set (EFE) - A audiência prevista para hoje no julgamento do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, por corrupção em um processo judicial foi suspensa depois que nenhum dos advogados que o defendem compareceu ao juízo.

Diante da ausência destes, a juíza de Milão Nicoletta Gandus decidiu nomear um advogado de ofício para Berlusconi, para poder seguir a sessão, mas, após o pedido da Promotoria, ficou determinado que a audiência seria retomada no dia 27 de setembro.

Chiara Zardi, de 28 anos, se tornou, assim, durante alguns minutos, a advogada do presidente do Governo e político mais rico da Itália.

"Quando me disseram que tinha que defender Berlusconi, pensei que fosse uma piada", disse a jovem, com um ano de experiência na magistratura milanesa.

Os advogados do chefe de Governo, Piero Longo e Niccolò Ghedini, tinham comunicado ao tribunal mais cedo que não podiam comparecer à audiência de hoje, pois tinham que participar das atividades do Parlamento, já que são deputado e senador do partido de Berlusconi.

Em seus lugares, enviaram um estagiário, ainda não autorizado a atuar como advogado, por isso a juíza, como é comum nestes casos, suspendeu temporariamente a sessão e pediu que se buscasse um advogado de ofício para representar Berlusconi.

No julgamento, que começou em março de 2007, são julgados o suposto pagamento de 580 mil euros ao advogado David Mills por parte de Berlusconi, em troca de que esse prestasse falso depoimento em dois processos contra si realizados em 1997 e 1998, e nos quais foi absolvido.

Segundo a acusação, o advogado britânico teria criado sociedades fictícias, entre 1989 e 1996, para destinar cerca de 1 bilhão de euros à corrupção de juízes, operações financeiras fora das regras de mercado e financiamento ilegal a partidos. EFE ccg/db

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