Julgamento de Aung San Suu Kyi é adiado para semana que vem

Bangcoc, 24 jul (EFE).- A líder opositora birmanesa e prêmio Nobel da Paz em 1991, Aung San Suu Kyi, terá que esperar até a próxima semana para saber a data em que o tribunal determinará sua sentença, por ter violado os termos da prisão domiciliar que cumpria desde 2003.

EFE |

O julgamento foi retomado hoje, mas a próxima audiência foi adiada para a segunda-feira, depois que a defesa apresentou seus argumentos finais para convencer o juiz da inocência da ativista, informaram fontes diplomáticas.

Inicialmente, estava previsto que as alegações de ambas as partes seriam escutadas hoje, para concluir esta fase do processo contra Suu Kyi, além da determinação da data em que sua sentença será determinada, que provavelmente ocorrerá no mês que vem. No entanto, depois de duas horas e meia de sessão, o juiz deu a audiência por terminada.

O processo será retomado na segunda-feira, com os argumentos da Procuradoria, que quer provar que a Nobel da Paz violou as condições de seu confinamento, quando deixou o cidadão americano John Michael Yettaw dormir em sua casa, em maio.

Suu Kyi, de 64 anos, enfrentará uma pena máxima de cinco anos de prisão, se for declarada culpada.

Se a pena for confirmada, Suu Kyi não poderá participar das eleições, que o regime birmanês anunciou que serão convocadas para 2010, tachadas de farsa pela oposição.

A Nobel da Paz teve sua liberdade privada por quase 14 dos últimos 20 anos e os últimos seis de maneira ininterrupta.

Desde o início do julgamento, no dia 18 de maio, a defesa enfrentou uma série de impedimentos do tribunal, que só aceitou duas de suas quatro testemunhas, frente às 23 que seu advogado tinha proposto.

Além disso, até a noite de ontem, os advogados de Suu Kyi não foram autorizados a reunir-se com sua cliente para preparar a estratégia final, denunciou o chefe da equipe e porta-voz da Liga Nacional pela Democracia (LND), Nyan Win.

As sessões transcorreram em uma sala especial da prisão de máxima segurança de Insein, em Yangun, onde barreiras foram levantadas esta manhã, para impedir o acesso aos seguidores do único partido que ainda resiste à pressão dos generais birmaneses.

O processo judicial contra Suu Kyi foi condenado por Governos de todo o mundo, algo que a Junta Militar considera uma intromissão em seus assuntos domésticos.

O jornal oficial "New Light of Myanmar" afirmou, em um editorial, que exigir a liberdade da opositora equivale a "não mostrar nenhum respeito às leis birmanesas".

"O tribunal que julga Suu Kyi emitirá uma condenação se for considerada culpada e a colocará em liberdade se for inocente", assinalou o jornal, principal órgão de propaganda internacional dos militares que controlam o poder em Mianmar (antiga Birmânia).

A Junta Militar também minimizou a importância da possibilidade de que Suu Kiy não possa concorrer às eleições do próximo ano e deixou claro no artigo que a chamada às urnas será legítima, apesar da condição de réu de cerca de 2.100 presos políticos, para os quais, no entanto, se estuda uma anistia parcial.

Mianmar é uma ditadura militar desde 1962 e não tem eleições democráticas desde 1990, quando a LND, liderada por Suu Kyi, ganhou a disputa oficial, embora o resultado não tenha sido acatado pelos generais. EFE tai/pd

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