Por Jane Sutton BASE NAVAL DOS EUA NA BAÍA DE GUANTÁNAMO, Cuba, (Reuters) - Um juiz militar norte-americano suspendeu nesta quarta-feira o julgamento de cinco prisioneiros acusados de planejar os ataques de 11 de Setembro, dando ao presidente Barack Obama o tempo que ele precisa para decidir se vai desativar os tribunais de crimes de guerra de Guantánamo.

Obama prometeu fechar a prisão de Guantánamo, vista como uma mancha na história dos EUA na defesa dos direitos humanos e um símbolo do abuso de presos e da detenção sem acusação formal sob a era Bush.

Horas após assumir o poder na terça-feira, Obama ordenou que promotores da corte de Guantánamo pedissem por uma suspensão de 120 dias em todos os casos pendentes. Ele solicitou um tempo para rever os casos e decidir qual o melhor fórum para qualquer processo no futuro.

A medida congelou os processos contra 21 prisioneiros ao menos até o fim de maio, mas foi percebida por muitos advogados como um sinal pelo fim dos tribunais especiais estabelecidos pelo governo Bush na base naval da Baía de Guantánamo, no sudeste de Cuba.

O mentor confesso dos ataques de 11 de Setembro, Khalid Sheikh Mohammed, e três de quatro réus no mesmo processo manifestaram-se contra o adiamento. Eles disseram em audiências anteriores que se declarariam culpados das acusações de homicídio em massa, o que poderia resultar na execução deles, pelos ataques com aviões em 2001 que mataram cerca de 3 mil pessoas.

Promotores militares, porém, disseram que a decisão de continuar ou não com as políticas de seu antecessor ficaria a cargo do novo presidente.

Outro juiz de Guantánamo suspendeu o caso contra o jovem prisioneiro canadense Omar Khadr, capturado aos 15 anos, acusado de matar um soldado norte-americano com uma granada num confronto no Afeganistão.

"O efeito prático da decisão de hoje é declarar o fim ao processo de comissões militares", disse o advogado militar de Khadr, capitão-tenente da Marinha William Kuebler, referindo-se aos julgamentos.

Khadr, agora com 22 anos, é o último cidadão de um país ocidental detido em Guantánamo. Seus advogados argumentam que à época, ainda menor, ele foi recrutado pelo pai, já falecido, e que o julgamento deveria ocorrer em tribunais comuns nos EUA ou no Canadá.

(Reportagem adicional de Andrew Gray e James Vicini em Washington)

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