Julgamento contra Karadzic continua sem data

Bruxelas, 20 ago (EFE).- O julgamento contra o ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic continua sem uma data definida, apesar de que estava previsto que começasse este mês, após uma nova audiência preliminar realizada hoje na sede do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII).

EFE |

O caso "ainda não está preparado para ser julgado", reconheceu hoje o juiz que preside a fase preliminar, Ian Bonomy, durante a audiência realizada na sede do tribunal, em Haia.

Karadzic optou por defender a si mesmo - assim como o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que morreu na prisão antes que se ditasse a sentença contra ele -, e também faz o possível para prolongar o processo, através da apresentação de várias moções e reivindicações.

Na opinião de Bonomy, encarregado das audiências preliminares, é necessário que as partes invistam o "tempo adequado" em preparar os fatos e evidências da causa.

Diante dos problemas constatados hoje, o juiz determinou que ainda não é possível fixar uma data para o julgamento.

Além disso, Bonomy transmitiu a Karadzic que tanto Malta quanto Bangladesh negaram ter documentos sobre o contrabando de armas que, segundo o ex-líder servo-bósnio, seus soldados protagonizaram durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).

Apesar da resposta negativa dos dois países, Karadzic se mostrou "convencido" de que esses documentos existem e acrescentou que ainda está recopilando material que provar isso.

Por isso, pediu "paciência" para trazer à tona toda a informação relativa ao envio ou venda de armas, munição ou equipamento militar aos muçulmanos da Bósnia, entre abril de 1992 e agosto de 1995, por parte desses Governos ou membros dessas nacionalidades participantes da força da ONU na antiga Iugoslávia.

Karadzic concluiu sua intervenção com uma queixa por causa das "dificuldades" técnicas que enfrenta para preparar o julgamento.

O ex-líder servo-bósnio enfrenta 11 acusações de crimes de guerra e lesa-humanidade - entre eles, dois de genocídio - supostamente cometidos no contexto da Guerra da Bósnia.

A Promotoria o considera responsável direto do massacre de Srebrenica, localidade na qual, em julho de 1995, cerca de 8 mil muçulmanos homens morreram como resultado de uma ofensiva servo-bósnia. EFE aal/an

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