Juíza americana considera ilegal detenção de afegão em Guantánamo

Washington, 30 jul (EFE).- Uma juíza federal mandou hoje soltar o afegão Mohammed Jawad, um dos presos mais jovens detidos em Guantánamo, por considerar que sua detenção é ilegal.

EFE |

Jawad, que se encontra na prisão dessa base militar cubana desde 2002, deverá ficar em liberdade até 24 de agosto, segundo a sentença da juíza Ellen Huvelle em uma audiência realizada hoje em Washington.

"Depois desta história horrível, longa e complicada, espero que o Governo tenha êxito na hora de mandá-lo para casa", disse Huvelle, que considerou que "já se impuseram bastantes coisas sobre este rapaz".

Mas a ordem da juíza não coloca necessariamente fim ao caso do detido.

O subsecretário-adjunto de Justiça, Ian Gershengorn, explicou na audiência que ainda existe a possibilidade de um novo caso contra o detendo, acusado de ter ferido dois soldados dos Estados Unidos e seu tradutor ao lançar uma granada em dezembro de 2002.

Os advogados do Governo americano disseram ter novas provas contra Jawad.

Este caso seria enviado aos tribunais federais, o que poderia representar um obstáculo para libertação, alegou Gershengorn.

Caso o afegão seja levado a um novo julgamento, o Governo deveria notificar o Congresso e esperar 45 dias antes de ele ser transferido a território americano para a audiência.

A juíza disse que não vê inconveniente em que se abra um novo processo contra Jawad nos tribunais civis, mas pediu para o Departamento de Justiça para considerar bem os problemas que rodeiam o caso, incluindo a saúde mental do preso e o fato de que está detido há quase sete anos.

Huvelle deu ao Governo até 6 de agosto para apresentar a documentação perante o Congresso, após o que seria necessário esperar 15 dias.

Os advogados afirmam que o afegão tinha 12 anos quando foi detido, em dezembro de 2002, mas não existe certidão de nascimento que comprove isso, de modo que sua idade não foi estabelecida.

O Pentágono calcula que Jawad teria 17 anos quando foi detido, baseando-se na análise de seus ossos.

Os advogados do preso argumentam que seu cliente apenas confessou ter lançado a granada depois que funcionários afegãos ameaçaram matar sua família e ele.

Um juiz militar determinou que o jovem afegão foi torturado e decidiu em outubro que sua confissão não podia ser usada nos tribunais militares de Guantánamo. EFE cae/db

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