Miami, 12 jan (EFE).- A juíza Joan Lenard adiou hoje a condenação do empresário venezuelano Franklin Durán, considerado culpado por conspirar e atuar nos Estados Unidos como um agente do Governo da Venezuela no chamado Caso da Mala, que também atingiu a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

A juíza adiou a sentença até 16 de março devido às objeções apresentadas por Edward Shohat, advogado de Durán, a um relatório de investigação realizado com o acusado antes da condenação.

Shohat criticou a forma como foi redigido o relatório, alegando que poderia ser interpretado como se Durán tivesse realizado atos de espionagem nos Estados Unidos e que era um funcionário da Disip, a Direção de Inteligência da Venezuela.

O empresário venezuelano foi declarado culpado de conspirar e atuar nos EUA como um agente do Governo da Venezuela para ocultar a origem e destino de uma mala com US$ 800 mil, confiscada com seu amigo, o venezuelano-americano Guido Alejandro Antonini Wilson, na Argentina, em 2007.

Os fundos supostamente provinham dos cofres da estatal Petróleos de Venezuela S/A (PDVSA) e eram destinados à campanha eleitoral da atual presidente da Argentina, segundo testemunhas dos promotores federais.

Os Governos da Venezuela e da Argentina negaram envolvimento com a origem do dinheiro.

O empresário enfrenta uma sentença máxima de 15 anos de prisão por ambas as acusações.

Durán, pálido e muito magro, acompanhou com atenção a explicação de seu advogado em uma sala lotada de parentes sentados do lado direito e de jornalistas de Argentina, Estados Unidos e Venezuela no esquerdo.

Shohat lembrou à juíza que o relatório antes da sentença deve conter exatamente todos os dados relacionados com o caso e seu cliente, e que a Promotoria Federal deve ainda corrigir outras informações, como ter identificado Durán como um hispânico não-branco.

Do relatório dependerão as condições de prisão do cliente, como, por exemplo, o nível de segurança da prisão aonde será enviado.

Thomas Mulvihill, promotor federal do caso, destacou ao fim da audiência que a juíza pediu para se pronunciar sobre algumas das objeções do advogado.

"Nós vamos apresentar nossas reações e um documento onde diremos se objetamos a todas as declarações apresentadas pela defesa ou se só a algumas delas. Na realidade, é um procedimento normal", explicou o promotor.

Lenard concordou em adiar a condenação e mandou às partes envolvidas apresentar em fevereiro suas respectivas moções, e, assim que forem resolvidas, pronunciarão a condenação do venezuelano.

Durán era sócio e amigo de Antonini Wilson, que mora em Miami, e, junto a Carlos Kauffmann, outro dos acusados, pressionaram para que mantivesse silêncio sobre a origem e o destino da mala.

Dos cinco acusados no caso, Durán foi o único que se declarou inocente e foi julgado por um júri de 12 pessoas que o encontraram culpado de ambas as acusações.

O advogado apresentou em 6 de janeiro uma moção à juíza pedindo que Durán não fosse condenado a mais de três de anos de prisão, sob o argumento de que não realizou atividades de espionagem nos EUA, nem teve a intenção de causar danos ao país.

No documento, o advogado disse que a juíza reconheceu isto durante a audiência judicial de sentença de Kauffmann, e, portanto, devia aplicar o mesmo critério a seu cliente.

A juíza já sentenciou Moisés Maiónica e Carlos Kauffmann, e o uruguaio Rodolfo Edgardo Wanseele Paciello.

Maiónica recebeu uma condenação de dois anos de prisão, Kauffmann pegou um ano de prisão e poderia sair em liberdade este mês, depois de passar um tempo similar atrás das grades; e Wanseele foi condenado a dois anos e oito meses de prisão.

Um quinto acusado, Antonio José Canchica Gómez, está foragido.

EFE so/db

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