Buenos Aires, 3 jun (EFE).- Um juiz processou hoje o ex-presidente da Argentina Carlos Menem, que governou o país entre 1989 e 1999, e vários funcionários do Executivo do ex-líder, além de estabelecer embargos milionários sobre seus bens, dentro de uma investigação por desvio de fundos públicos.

A medida foi determinada pelo magistrado Marcelo Martínez De Giorgi, encarregado de um inquérito sobre o pagamento de salários extras a funcionários durante a gestão presidencial de Menem, hoje senador, informaram fontes judiciais.

O juiz também decidiu que os ex-ministros de Economia Domingo Cavallo e de Justiça Raúl Granillo Ocampo, entre outros membros do Governo de Menem, serão processados pelo crime de peculato, desvio de dinheiro.

Martínez De Giorgi travou um embargo de 100 milhões de pesos (US$ 26,5 milhões) sobre o patrimônio de Menem e de 10 milhões de pesos (US$ 2,65 milhões) sobre os de Cavallo e Granillo Ocampo.

Em todos os casos as medidas foram emitidas sem prisão preventiva porque o juiz considerou que não existe perigo de fuga nem possibilidades de atrapalhar a investigação por parte dos processados e, no caso de Menem, porque como legislador tem imunidade de detenção.

O magistrado determinou que "se credenciou" que durante os dois mandatos de Menem "se projetou, se executou e se desenvolveu" um sistema pelo qual se destinou dinheiro público para o pagamento de valores a funcionários do poder Executivo, "os quais eram repartidos de maneira discricionária e informal entre eles".

A autoridade judicial afirma que o sistema que distribuiu os recursos estava formado por "funcionários da mais alta hierarquia do Poder Executivo", e que esse dinheiro estava alocado originalmente pela Lei de Orçamento a gastos de Inteligência e Segurança do Estado. EFE hd/db

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