Londres, 3 dez (EFE).- O juiz encarregado da investigação da morte de Jean Charles de Menezes recomendou hoje ao júri que antes de chegar a um veredicto ouça o testemunho dado por um dos agentes que atiraram no brasileiro.

"Este homem duro, forte, altamente treinado e maduro começou a chorar, e este fato pode ajudá-los a avaliar a profundidade da experiência emocional que ele teve ao reviver os terríveis fatos de 22 de julho", afirmou o magistrado Michael Wright.

Jean Charles recebeu oito tiros em uma estação de metrô londrina ao ser confundido pela Polícia com um dos autores dos atentados terroristas ocorridos na véspera, em 21 de julho.

No último dia de recapitulação, antes que, na quinta-feira, o júri começasse a deliberar, Wright advertiu também sobre os testemunhos dos passageiros que presenciaram o tiroteio.

"Em geral, ilustram a conhecida certeza de que, quando várias pessoas percebem um mesmo fato inexplicável, espantoso, chocante, violento e de acontecimento rápido, as versões que oferecem depois costumam variar de maneira muito substancial", disse.

Por um imperativo legal, a imprensa não pode divulgar a decisão do Tribunal Superior de Londres até depois que o júri tenha emitido seu veredicto, o que deve acontecer nos próximos dias.

A Polícia Metropolitana de Londres (MET) já foi julgada em outra ocasião por seu papel na morte de Jean Charles.

Em 1º de novembro de 2007, a Scotland Yard foi declarada culpada de descumprimento da lei britânica de risco laboral, que obriga as forças da ordem a zelar pela integridade inclusive dos que não são seus empregados, e condenada a pagar uma multa.

Nesse mesmo ano, a Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC) exonerou 15 agentes, quatro deles de alta categoria, por sua responsabilidade no caso. EFE jm/rr

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