Juiz ordena prisão de prefeito de Detroit

Washington, 7 ago (EFE).- O juiz federal, Ronald Giles, ordenou hoje a prisão do prefeito de Detroit, Kwame Kilpatrick, por ter violado os termos de sua liberdade condicional ao viajar sem autorização judicial ao Canadá no mês passado.

EFE |

Kilpatrick, que é acusado de perjúrio e obstrução à Justiça em um escândalo sexual, se desculpou e prometeu ao juiz que não voltaria a violar sua liberdade condicional, mas isso não foi suficiente para suspender a ordem de prisão.

O juiz justificou a decisão dizendo que "teria feito o mesmo" com qualquer outro acusado.

Os advogados de Kilpatrick asseguraram que recorrerão da decisão de Giles em uma audiência marcada para sexta-feira, o que significa que o prefeito passará a noite na prisão.

Enquanto se encontrar detido, seu chefe de gabinete, Kandia Milton, o substituirá no cargo, segundo a porta-voz da Prefeitura de Detroit, Denise Tolliver.

"O juiz fez o que achava que era correto, mas não estamos de acordo com sua decisão", afirmou seu advogado, James Thomas.

O prefeito renunciou hoje a seu direito de uma audiência preliminar, e decidiu ir diretamente a julgamento pelas acusações.

Kilpatrick é acusado de perjúrio, obstrução à Justiça e conduta inadequada, por ter mentido sob juramento sobre uma suposta relação extraconjugal com uma auxiliar de seu gabinete.

Por essas acusações, apresentados em março, o prefeito de Detroit poderia ser condenado a até 15 anos de prisão.

A promotora Kym Worthy apresentou as acusações contra o jovem prefeito, de 37 anos, depois que foram tornadas públicas mensagens de texto que Kilpatrick enviou a sua chefe de gabinete, Christine Beatty, e que revelaram a aventura sentimental entre ambos.

Beatty, de 37 anos, que também negou sob juramento que mantivesse uma relação sentimental com o prefeito, foi acusada de perjúrio e obstrução à Justiça.

No total, a promotora autorizou 12 acusações criminais no caso.

Foram revisadas mais de 40 mil páginas de documentos desde janeiro, mês no qual o diário "Free Press" de Detroit publicou trechos das mensagens de texto amorosas enviadas por Kilpatrick a Beatty entre 2002 e 2003.

As mensagens contradisseram os testemunhos do prefeito e de sua ajudante durante um julgamento contra dois policiais, que alegavam terem sido demitidos por investigar queixas de que o prefeito teria usado os serviços de segurança para encobrir suas relações extraconjugais.

Nesse julgamento, tanto Kilpatrick quanto Beatty negaram ter mantido um relacionamento.

A Prefeitura de Detroit concordou em pagar US$ 8,4 milhões aos dois policiais e a um terceiro funcionário que tinha registrado uma queixa separadamente.

Documentos revelaram que Kilpatrick aprovou o acordo extrajudicial, em um esforço para evitar que as mensagens de texto se tornassem públicas.

Kilpatrick disse que não vai renunciar a seu posto de prefeito, mas Beatty renunciou a seu cargo em fevereiro. EFE cai/gs

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