Juiz militar se nega a suspender um julgamento em Guantánamo

WASHINGTON - Um juiz militar de Guantánamo, James Pohl, negou-se nesta quinta-feira a suspender por 120 dias o julgamento de um saudita detido na prisão, como havia sido solicitado pelo presidente Barack Obama.

Redação com agências internacionais |

Segundo o site do jornal "The Washington Post", o juiz James Pohl decidiu manter a audiência convocada para 9 de fevereiro contra o saudita Abd al-Rahim al-Nashiri, acusado de ter participado do ataque da Al-Qaeda contra um navio de guerra americano em outubro de 2000, no qual 17 pessoas morreram e 40 ficaram feridas.

O juiz James Pohl disse que o pedido de suspender o julgamento para permitir uma revisão do caso pelo novo governo americano "não foi persuasivo". Pohl decidiu que o julgamento de Nashiri deve ser realizado.

O "The Washington Post" afirma ainda que a decisão de Pohl pode obrigar o Pentágono a tomar a única decisão possível para suspender o processo: retirar as acusações contra o detido.

AP
Sol nasce na prisão de Guantánamo, cujo fechamento foi ordenado por Obama

Sol nasce em Guantánamo, cujo fechamento foi ordenado por Obama

No dia 21 de janeiro, a administração Obama solicitou, através de promotores, que os julgamentos dos presos mantidos na prisão de Guantánamo fossem suspensos. Na ocasião, um juiz militar aceitou o pedido.

No documento de duas páginas, o governo afirmou que os interesses da justiça seriam contemplados com a imediata suspensão dos julgamentos e solicitou um adiamento de 120 dias nas audiências. O adiamento permitiria que "o presidente e seu governo tenham tempo para revisar o processo das comissões militares .

Na mesma semana, Obama assinou um decreto no qual ordenou o fechamento da prisão de Guantánamo, no prazo de um ano, a revisão de tribunais militares de suspeitos de terrorismo e o fim dos métodos mais duros de interrogação.

"A mensagem que estamos enviando ao mundo é de que os Estados Unidos pretendem dar continuidade à atual luta contra a violência e o terrorismo, e que nós o faremos de forma vigilante e efetiva, e o faremos de uma forma que é condizente com nossos valores e ideais", disse Obama, ao assinar as medidas no Salão Oval da Casa Branca.

Revisão

O novo governo deve decidir agora como proceder. De acordo com analistas, este pode ser um revés para os planos de Obama de fechar o campo de prisioneiros de Guantánamo.

Cerca de 250 detentos acusados de ligações com terrorismo permanecem detidos em Guantánamo.

O processo legal destes prisioneiros tem sido amplamente criticado porque os militares americanos agem como carcereiros, juízes e júri.

Um juiz já suspendeu por 120 dias o julgamento de cinco homens acusados de envolvimento nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Entre eles estão Khalid Sheikh Mohammed, considerado o mentor dos ataques. O prisioneiro se opôs à suspensão, dizendo que quer confessar seu papel no ocorrido.

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