Juiz libanês pede prisão de Kadafi por desaparecimento de imame nos anos 1970

Beirute, 27 ago (EFE).- Um juiz de instrução do Líbano ordenou hoje a detenção do líder da Líbia, Muammar Kadafi, por seu suposto envolvimento no desaparecimento do imame Moussa Sadr e dois de seus companheiros 30 anos atrás, informaram fontes judiciais.

EFE |

O magistrado Samih el Hajj acusou Kadafi de "ter incitado o seqüestro", em 31 de agosto de 1978, do imame Sadr (xiita), do xeque Mohamed Ya'coub e do jornalista Abbas Badreddine.

O juiz também acusa o líder líbio de "incitação à guerra civil e a conflitos religiosos no Líbano", acusação que pode ser punida com a pena de morte.

Além de Kadafi, outras seis pessoas são acusadas dos mesmos crimes.

Não é a primeira vez que Kadafi é perseguido pela Justiça libanesa. Embora o caso tenha sido arquivado em 1986 por falta de provas, a Procuradoria Geral anunciou em agosto de 2004 que voltaria a abri-lo após a existência de novos elementos no processo.

Em agosto do ano passado, foi emitido um mandado de prisão contra Kadafi e os outros seis acusados, que agora foi ratificado pelo juiz de instrução.

Desde o seqüestro de Sadr, a comunidade xiita não parou de pedir contas à Líbia, que sempre negou seu envolvimento nesses seqüestros, ocorridos durante uma visita do imame, de Ya'coub e de Badreddine ao país a convite de Kadafi.

Sadr, que nasceu no Irã, estudou teologia nesse país e no Iraque, e chegou em 1960 ao Líbano, onde começou a defender sua comunidade, que chamava de "deserdada", e formou, no início da guerra civil libanesa, a milícia xiita Amal, atualmente presidida pelo presidente do Parlamento, Nabih Berri.

Seu desaparecimento é lembrado todos os anos no Líbano, onde, antes de seu desaparecimento, pregava a tolerância religiosa e organizou sua comunidade, que agora pertence ao grupo Hisbolá (Partido de Deus), islâmico e patrocinado pelo Irã. EFE ks/wr/gs

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