Juiz inicia investigação sobre escutas do News of the World

Extinto tabloide será submetido a uma investigação de 12 meses que avaliará dimensão dos grampos ilegais contra personalidades

iG São Paulo |

O juiz britânico Lord Leveson iniciou nesta segunda-feira a investigação sobre o caso das escutas ilegais do extinto tabloide News of the World . O magistrado deverá avaliar a "cultura, a prática e a ética da imprensa" após o escândalo dos grampos de telefones celulares de personalidades e famosos efetuados pelo jornal.

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AP
Imagem de vídeo mostra novo depoimento de James Murdoch sobre escândalo de escutas do News of the World (10/11)

Durante a investigação, cuja duração está estimada em doze meses, Leveson pedirá a várias vítimas da espionagem que prestem depoimento no Royal Court of Justice, edifício onde funciona o Tribunal Superior de Londres. Além disso, o juiz deverá considerar se o sistema de autorregulações da imprensa britânica apresenta bons resultados.

Assim que for concluída essa primeira parte da apuração, o juiz terá que avaliar a conduta da imprensa, embora essa segunda parte precisará esperar a concusão da investigação executada pela polícia sobre os grampos ilegais do News of the World.

"Eu considero que a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa são fundamentais para nossa democracia. Mas essa liberdade deve ser exercida levando em conta o direito dos outros", afirmou Leveson ao dar por iniciada a investigação determinada em julho pelo premiê do Reino Unido, David Cameron.

A imprensa, segundo o juiz, atua como "guarda" de "todos os aspectos da vida pública", mas especificou que essa apuração deve considerar outra pergunta: "Quem vigia os guardiões?"

As primeiras testemunhas, cujos nomes ainda não foram divulgados, serão concocadas na próxima semana. O magistrado estimulou os diretores dos jornais e revistas a se reunirem e estudarem os assuntos que serão abordados nessa investigação para que apresentem a ele algumas propostas sobre a melhor maneira de regular a imprensa no Reino Unido. "Essas ideias devem refletir as liberdades fundamentais às quais me referi", destacou Leveson.

Dimensão dos grampos

O ex-chefe de reportagem do News of the World Neville Thurlbeck afirmou nesta segunda-feira que o executivo James Murdoch , do News International, braço europeu da News Corp ., desconhecia a d imensão dos grampos telefônicos encomendados por seus subordinados no tabloide.

Thurlbeck é uma figura central no escândalo, por ter sido citado em um e-mail usado por críticos como prova de que a espionagem não foi um caso isolado.

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O email, enviado "para Neville" incluía a transcrição de mensagens de voz em celulares grampeados, e foi decisivo para que Murdoch aceitasse pagar cerca de 750 mil libras (US$ 1,2 milhão) a um dos espionados, o dirigente do setor futebolístico Gordon Taylor.

Críticos da empresa dizem que essa vultosa quantia deveria servir para comprar o silêncio da vítima e evitar que o escândalo viesse à tona em toda a sua dimensão, já que Taylor teria uma cópia da mensagem.

Mas James Murdoch, filho do magnata da mídia Rupert Murdoch, alega reiteradamente que nunca soube da relevância desse email, e que pagou a indenização seguindo as recomendações de sua equipe jurídica.

Durante muito tempo, a News Corp. alegou que os grampos telefônicos eram feitos apenas por um repórter insubordinado, Clive Goodman, com a ajuda do detetive particular Glenn Mulcaire. Essa linha de defesa desmoronou nesse ano, devido à revelação de centenas de outros casos de espionagem.

"O sr. Murdoch foi mantido no escuro e privado de evidências vitais mostrando que os grampos telefônicos eram bem mais amplos do que o caso Goodman/Mulcaire", disse Thurlbeck em declaração enviada à Reuters.

"Com base na minha experiência com a crônica falta de transparência total nos últimos dois anos e meio, o relato (de Murdoch) ao comitê CMS (comissão parlamentar de Cultura, Mídia e Esportes) me parece inteiramente plausível."

Murdoch, 38 anos, disse na semana passada à comissão parlamentar que era inocente das acusações de ter acobertado os grampos telefônicos. Ele atribuiu a culpa ao ex-editor Colin Myler e ao ex-diretor jurídico Tom Crone.

Thurlbeck atualmente está questionando a sua demissão do jornal, que considerou injusta, e chegou a ser detido por envolvimento nos grampos. Um deputado que participou da audiência na semana passada acusou Thurlbeck, com base num relato de Crone, de ter explicado a Murdoch a relevância do email usado como prova. Thurlbeck diz ter enviado a declaração a Reuters para contestar essa versão.

A News Corp. tirou de circulação o News of the World por causa das denúncias de espionagem de caixas postais telefônicas de centenas de pessoas na Grã-Bretanha.

Com EFE e  Reuters

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