Juiz estende período de isolamento de extremista norueguês

Familiares visitam Ilha de Utoya, onde morreram 69 das 77 vítimas do massacre que chocou o país há quatro semanas

iG São Paulo |

A Justiça da Noruega decidiu nesta sexta-feira estender por quatro semanas o período de isolamento do extremista norueguês Anders Behring Breivik , 32 anos, que assumiu responsabilidade pelo massacre que deixou 77 mortos no país.

Inicialmente, a polícia tinha pedido que Breivik ficasse sob custódia por oito semanas, das quais quatro em total isolamento. Com a decisão desta sexta-feira, o extremista passará todo o período isolado.

O juiz Hugo Abelseth justificou a decisão dizendo que a polícia acredita que Breivik pode alterar evidências ou contatar possíveis cúmplices. Abelseth afirmou que o extremista descreveu o isolamento como “tedioso, monótono e um método sádico de tortura”.

AP
Familiares chegam à Ilha de Utoya, onde ataque deixou 69 mortos

Também nesta sexta-feira, familiares dos mortos no ataque na Ilha de Utoya, onde morreram 69 das 77 vítimas do massacre, visitaram o local. Durante a visita, que não foi acompanhada pela imprensa, investigadores mostram o lugar exato onde cada corpo foi encontrado.

Cerca de 500 familiares chegaram à ilha pela manhã em um navio militar, no qual também viajaram policiais e médicos. A visita foi programada para esta sexta-feira para marcar as quatro semanas que se passaram desde o ataque.

No domingo, que marca o fim de um mês de luto nacional, uma cerimônia em homenagem às vítimas será realizada na capital, Oslo. Durante o fim de semana, 1,5 mil pessoas devem visitar Utoya.

“Ir até a ilha ajudará os familiares a entender o que aconteceu, a acreditar que é verdade”, afirmou o psicólogo Atle Dyregrov, que lidera os esforços de ajuda profissinal aos familiares e sobreviventes. “Os fatos às vezes são menos assustadores que as ideias.”

Duplo ataque

Breivik admitiu ter detonado uma bomba no principal prédio do governo da Noruega em Oslo e de ter atirado contra pessoas em um acampamento de jovens do Partido Trabalhista na ilha de Utoya, no que ele considerou um ataque contra o multiculturalismo.

A escolha do Partido Trabalhista como alvo teve como motivo o fato de ser um símbolo da aceitação europeia de imigrantes muçulmanos, de acordo com o advogado do atirador.

Críticos disseram à mídia local que a equipe armada especial de resposta a crises de Oslo não teve acesso rápido a um helicóptero. Alguns observadores também questionaram por que policiais na vizinha Hoenofoss optaram por esperar pela equipe de Oslo - a cerca de 45 quilômetros de distância de carro - em vez de seguir imediatamente de barco para a ilha.

A polícia admitiu à Reuters que, quando eles partiram no barco policial, a embarcação ficou parada na água porque estava cheia demais, forçando a utilização de embarcações particulares para completar a travessia.

Eles também reconheceram que os primeiros policiais a agirem não escolheram a travessia mais curta disponível. Demorou uma hora entre o momento em que a polícia recebeu os primeiros relatos das mortes e a prisão de Breivik na ilha de Utoya.

Com AP, BBC e EFE

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