Juiz do caso de ex-motorista de Bin Laden descarta provas obtidas sob coerção

Washington, 21 jul (EFE).- O juiz do tribunal militar que julga Salim Hamedan, ex-motorista de Osama bin Laden, descartou hoje utilizar provas obtidas em interrogatórios sob condições altamente coercitivas no Afeganistão.

EFE |

O juiz Keith Allred disse que os promotores não poderão utilizar algumas provas contra Hamedan obtidas após sua detenção em 2001 no Afeganistão, durante os interrogatórios a que foi submetido na base aérea de Bagram e na de Panshir, "devido ao ambiente e condições altamente coercitivas em que foram realizados".

No entanto, o magistrado deixou aberta a possibilidade dos promotores utilizarem outras declarações formuladas por Hamedan em outras partes do Afeganistão e Guantánamo.

Segundo Michael Berrigan, um dos advogados da defesa, o ditame de Allred é um golpe para o sistema estabelecido para os detidos em Guantánamo que permite a utilização de evidências conseguidas mediante métodos coercitivos e testemunhos de segunda mão.

"Precisamos avaliar em que medida isto pesa em nossa capacidade de estabelecer seu crime neste caso e o que poderia significar em casos futuros", disse o promotor principal, coronel Lawrence Morris.

Ao iniciar esta manhã o julgamento, Hamedan, de origem iemenita, se declarou inocente das acusações.

Anteriormente Hamedan tinha se queixado durante as audiências prévias ao julgamento de que fora agredido e ameaçado de morte após sua captura no Afeganistão.

Também denunciou o isolamento, a privação do sonho e as humilhações sofridas durante os sete anos em que ficou detido na prisão militar de Guantánamo.

Hamedan, que admitiu que foi motorista de Bin Laden, é acusado de conspiração e de fornecer material de apoio a terroristas.

A Promotoria o acusa de ser membro da organização terrorista Al Qaeda, enquanto seus advogados sustentam que era apenas membro de uma companhia de transportes.

Foi capturado pelo Exército afegão em novembro de 2001 e entregue depois ao Exército americano.

Em maio de 2002, foi levado a Guantánamo e pouco depois se tornou um dos primeiros prisioneiros a enfrentar acusações de crimes de guerra. EFE ojl/rr

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