Juiz diz que espiões italianos sabiam de sequestro de Abu Omar

Roma, 1 fev (EFE).- O juiz do Tribunal de Milão Oscar Magi escreveu nos fundamentos da sentença do primeiro caso dos chamados voos da CIA, publicados hoje, que os espiões italianos sabiam da intenção do serviço secreto americano de sequestrar o imame Abu Omar.

EFE |

Em novembro passado, Magi condenou 23 agentes americanos da CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos) a penas de entre cinco e oito anos de prisão, todos acusados do sequestro do imame em Milão, mas não julgou os dirigentes dos serviços secretos da Itália (Sismi), cujas atividades são protegidas por segredo de Estado.

Segundo os fundamentos da sentença, o serviço secreto italiano "conhecia e era inclusive condescendente" com as ações que levaram ao sequestro de Abu Omar.

O juiz lembra, entretanto, que "não foi possível aprofundar" essa situação, já que as atividades internas do Sismi são resguardas por segredo de Estado.

Na sentença, Magi afirma que a imposição do segredo de Estado sobre as relações entre os serviços secretos italianos e internacionais quando existem acusados em ambos os lados é "um evidente paradoxo lógico e jurídico, além de preocupante".

Na sentença, o magistrado assinalou sua impossibilidade de proceder contra dois dos acusados: o ex-diretor do Sismi Niccoló Pollari e o ex-número dois da agência, Marco Mancini, protegidos pelo segredo de Estado.

Dos 26 agentes da CIA acusados, julgados à revelia por não terem se apresentado ao processo, três deles foram absolvidos por ter imunidade diplomática.

Em março de 2009, o Tribunal Constitucional italiano ratificou a aplicação do segredo de Estado, imposta pelo poder Executivo, para o caso Abu Omar.

Apesar disso, os ex-agentes do Sismi Luciano Seno e Pio Pompa foram condenados a três anos de prisão por serem cúmplices no sequestro.

Abu Omar foi sequestrado em 2003 em Milão por agentes da CIA quando saía de sua casa e levado para o ao Egito, onde foi preso e sofreu torturas, segundo o próprio denunciou após ser libertado no começo de 2007. EFE ccg/bba

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