Juiz decidirá se acusados de tráfico de crianças serão julgados no Haiti

Porto Príncipe, 1 fev (EFE).- Um juiz de Porto Príncipe ouvirá hoje os dez americanos acusados de tráfico de menores e decidirá se devem ser julgados no Haiti ou em seu país, informou a ministra de Comunicação e Cultura haitiana, Marie Laurence Lassec.

EFE |

Os dez americanos são membros da ONG New Life Children's Refuge e estão detidos na Direção Central da Polícia Judiciária, onde aguardam para prestar depoimento.

Lassec explicou ontem que a guarda da fronteira foi quem barrou no sábado passado o ônibus no qual estava o grupo de crianças haitianas porque estavam acompanhadas de adultos aparentemente estrangeiros.

"(As crianças) não tinham nenhuma documentação com eles.

Portanto, a Polícia contactou a direção em Porto Príncipe e a volta do ônibus foi ordenada", disse a ministra.

Em declarações à imprensa, a titular de Comunicação ressaltou que o Haiti tem seu sistema judiciário e seus procedimentos e pediu respeito às normas do país.

Lassec acrescentou que a Direção de Assuntos Sociais informará também hoje sobre as investigações realizadas para determinar quais crianças têm pais ou familiares.

Aparentemente, vários dos menores confirmaram que têm pais e deram inclusive seus endereços e telefones, o que desmentiria a versão da New Life Children's Refuge, uma organização de confissão batista radicada no estado americano de Idaho.

Lassec também explicou que as autoridades haitianas são conscientes de que após o terremoto houve muitas tentativas de roubos de crianças e, por causa disso, a vigilância nas fronteiras e no aeroporto da capital foi reforçada.

A ministra disse que, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), havia crianças haitianas sendo vendidas por US$ 25 mil.

O secretário de Estado de Segurança Pública do Haiti, Aramick Louis, pediu hoje que a Polícia "aumente a vigilância sobre deslocamentos de crianças".

"Há uma grande demonstração de solidariedade em relação ao Haiti.

Apreciamos isso, mas é nosso dever garantir que tudo seja feito segundo as leis," afirmou Louis.

Foi anunciado hoje que uma equipe espanhola, com ajuda das forças de segurança haitianas, analisará cinco mil amostras genéticas de crianças que procuram seus pais e de famílias que denunciaram a perda de seus filhos depois do terremoto de 12 de janeiro.

Acompanhada da embaixadora haitiana na Espanha, Yolette Azor-Charles, a secretária de Estado de Cooperação da Espanha, Soraya Rodríguez, comunicou hoje em Madri que o Governo espanhol ofereceu gratuitamente ao Haiti o programa DNA-Prokids da Universidade de Granada, que identificou cerca de 200 crianças em 12 países desde 2006.

A embaixadora estimou em 400 mil o número de crianças em situação de abandono em seu país, "aparentemente órfãs".

Composta por células epiteliais da boca, a amostra biológica é numerada com um código e unida a uma ficha com dados pessoais, suas impressões digitais e uma foto.

Tudo isso será enviado ao laboratório de medicina legal da Universidade de Granada, que apenas gere a informação, já que o dono do material é o Governo haitiano. Ali, os dados serão analisados e cruzados com uma segunda base de dados em busca de coincidências genéticas.

Com a ajuda da Polícia haitiana, o recolhimento de dados será feio em locais como hospitais, orfanatos e acampamentos móveis. EFE fjo-gp-msr/bba

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