O juiz chileno Victor Montiglio ordenou a prisão de 120 ex-militares e oficiais da polícia secreta por acusações de abusos de direitos humanos cometidos durante o governo militar de Augusto Pinochet (1973-1990). Todos os suspeitos pertenciam à temida polícia secreta, a Dina.

Entre eles está o ex-chefe da Dina, Manuel Contreras, que já está cumprindo prisão perpétua por envolvimento com outros crimes cometidos durante o governo militar.

Vários dos 129 suspeitos listados pelo juiz ainda não haviam sido acusados previamente.

Segundo correspondentes na região, a ordem de prisão é a maior já emitida com relação aos abusos contra direitos humanos cometidos durante o governo militar no Chile. Acredita-se que mais de 3 mil pessoas foram mortas ou desapareceram neste período.

As prisões devem ocorrer a partir desta quarta-feira.

Em dezembro de 2005, o mesmo juiz Montiglio processou Augusto Pinochet, morto um ano depois, em 2006, sem nunca ter enfrentado um julgamento pelos crimes cometidos durante o seu regime.

'Operação Condor'
Os mandados expedidos por Montiglio são relacionados à chamada Operação Condor, a articulação secreta entre regimes militares de países da América do Sul, entre eles o Brasil e a Argentina, nos anos 70 e 80, que resultou na troca de presos políticos e de informações sobre atividades de opositores aos regimes.

A ordem diz respeito ainda a casos ligados à Operação Colombo, realizada pela polícia secreta chilena e que resultou no desaparecimento de 119 pessoas, em julho de 1975. A maioria dos desaparecidos era formada por dissidentes de esquerda que se opunham ao regime então recém-instaurado. Documentos indicam que a polícia secreta de Pinochet capturou e matou os 119.

Outro caso contemplado pelo juiz e seus mandados de prisão foi a detenção e desaparecimento de 10 membros do Partido Comunista chileno, em maio de 1976.

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