Juiz chileno ordena prisão de 120 oficiais da era Pinochet

O juiz chileno Victor Montiglio ordenou a prisão de pelo menos 120 ex-militares e oficiais da polícia secreta por acusações contra os direitos humanos, durante o governo militar de Augusto Pinochet (1973-1990). Entre os nomes mencionados na ordem de prisão está o do ex-chefe da temida polícia secreta Direção de Inteligência Nacional (DINA), Manuel Contreras, que já está cumprindo prisão perpétua por envolvimento com outros crimes cometidos durante o governo militar.

BBC Brasil |

A ordem de prisão inclui ainda dezenas de novos suspeitos que não haviam sido acusados de abusos no mesmo período.

O mandado se refere aos casos da chamada "Operação Condor", uma ação de regimes militares de países da América do Sul nos anos 70 e 80 de troca de presos políticos e de informações sobre atividades de opositores.

A ordem diz respeito ainda aos casos da "Operação Colombo", que resultou no desaparecimento de 119 pessoas, em julho de 1975. A maioria dos desaparecidos era formada por dissidentes de esquerda que se opunham ao regime então recém-instaurado. Documentos indicam que a polícia secreta de Pinochet capturou e matou os 119.

A decisão se refere também ao chamado "Caso da rua da Conferência", de maio de 1976, que levou à detenção de dez membros do Partido Comunista chileno, que permanecem desaparecidos.

Prisões

Segundo correspondentes na região, a ordem emitida nesta terça-feira é a maior já feita com relação aos abusos cometidos durante o governo militar no Chile. Acredita-se que mais de 3 mil pessoas foram mortas ou desapareceram neste período.

As prisões devem ocorrer a partir desta quarta-feira.

Em dezembro de 2005, o mesmo juiz Montiglio processou Augusto Pinochet, morto um ano depois, em 2006, sem nunca ter enfrentado um julgamento pelos crimes cometidos durante o seu regime.

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