Juiz argentino ordena detenção de ex-ditador por crimes de repressão

Buenos Aires, 23 abr (EFE) - Um juiz argentino ordenou hoje a detenção do ex-ditador Jorge Videla por uma investigação que apura crimes de lesa-humanidade durante o último Governo militar (1976-1983), informaram fontes judiciais.

EFE |

A decisão do juiz federal Daniel Rafecas foi tomada no marco do expediente conhecido como "Primeiro Corpo do Exército", uma das causas abertas pela Justiça desde que, em 2003, foram revogadas as "leis do perdão" a repressores da ditadura.

O magistrado determinou a detenção do ex-presidente depois que este se recusou a depor no julgamento, destacaram as fontes.

Rafecas investiga Videla, que governou o país entre 1976 e 1981, por sua participação em 570 seqüestros, 270 casos de torturas e 29 homicídios, acrescentaram.

Jorge Videla está sendo processado e cumpre prisão domiciliar por outras duas causas: roubo de bebês, filhos de desaparecidos, durante a ditadura e por sua participação na Operação Condor, como foi chamada a coordenação repressiva dos regimes militares do cone sul americano nas décadas de 70 e 80.

Videla, de 82 anos, cumpre prisão domiciliar, porque as leis argentinas concedem esse benefício às pessoas com mais de 70 anos.

Em julho do ano passado, a Corte Suprema de Justiça declarou inconstitucionais os indultos concedidos em 1989 e 1990 pelo ex-presidente Carlos Menem aos repressores do último Governo ditatorial, entre eles Videla.

Segundo dados oficiais, 18 mil pessoas desapareceram durante a última ditadura, embora os organismos de direitos humanos elevem o número para 30 mil. EFE cw/db

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