Juiz afirma que mordomo não disse a verdade em investigação de morte de Diana

Londres, 1 abr (EFE).- O juiz encarregado da investigação judicial sobre a morte da princesa Diana, Scott Baker, disse hoje ser evidente que o ex-mordomo dela, Paul Burrell, não disse toda a verdade ao tribunal, e pediu ao júri que analise sua declaração com cautela.

EFE |

Baker seguiu hoje com a exposição das conclusões da investigação judicial iniciada há seis meses para esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte de Diana e seu namorado, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997.

O juiz fez referência a um vídeo secreto feito no quarto de um hotel de Nova York, no qual o ex-mordomo Burrell aparecia falando de sua declaração prestada perante o Tribunal Superior de Londres no último mês de janeiro.

Na filmagem, divulgada pelo jornal britânico "The Sun", o antigo funcionário de Diana reconheceu que deu pistas falsas e que "contemplar o perjúrio" não lhe era agradável.

No relatório de hoje, Baker disse: "Escutei-o no tribunal e, sem (levar em conta) o que disse depois no quarto de um hotel em Nova York, está bastante claro que a declaração que prestou no tribunal não foi a verdade, apenas a verdade e nada mais que a verdade".

O magistrado sugeriu que Burrell, que vive constantemente entre o Reino Unido e os EUA, pode ter pensado, ao falar perante o tribunal, no impacto que sua declaração poderia ter sobre suas eventuais atividades empresariais futuras.

O ex-mordomo, que sempre afirmou ter sido "fiel como uma rocha" à Lady Di, enriqueceu com a publicação de livros sobre sua relação com a princesa.

Baker qualificou Burrell como uma "rocha bastante porosa", já que revelou detalhes da vida íntima da princesa, e pediu ao júri, integrado por 11 pessoas, que analisasse com "cautela" as afirmações feitas pelo mordomo no começo do ano.

Em janeiro, o ex-mordomo compareceu três dias seguidos ao Tribunal Superior de Londres, onde disse, entre outras coisas, que a rainha Elizabeth II estaria preocupada com a aparência que tomava a relação entre Diana e Dodi.

Na ocasião, Burrel também disse ser "impossível" que o casal tenha sido vítima de uma conspiração.

Ontem, o juiz afirmou que "não há provas" de que o duque de Edimburgo, marido da rainha Elizabeth II, ou os serviços secretos tenham ordenado a execução da princesa, como argumenta o pai de Dodi e dono das lojas de departamento Harrods, Mohamed al-Fayed.

Uma vez concluído o resumo do caso, que pode durar dias, os 11 membros do júri deverão retirar-se para analisar o veredicto.

Durante os últimos meses, mais de 250 testemunhas prestaram declaração, seja no próprio tribunal ou através de videoconferências feitas do exterior.

Na tragédia também morreu o motorista, Henri Paul, mas se salvou o guarda-costas Trevor Rhys-Jones.

Duas investigações - uma francesa e outra britânica - concluíram que o casal morreu em um trágico acidente, mas Al- Fayed insiste em afirmar que Diana e Dodi foram vítimas de uma conspiração que visava impedir que se casassem. EFE vg/rr/gs

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