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Juiz afirma que houve erros sistemáticos na morte de Jean Charles

Londres, 4 mar (EFE).- O juiz Michael Wright, que conduziu o inquérito público sobre o assassinato de Jean Charles de Menezes em Londres em 2005, mandou hoje revisar os procedimentos policiais por considerar que houve erros sistemáticos que teriam levado à morte do brasileiro, que foi confundido com um terrorista suicida.

EFE |

Em relatório divulgado hoje, Wright afirma que a investigação, que isentou os policiais de qualquer responsabilidade individual na morte de Jean Charles, "sugere que ocorreram erros sistemáticos", e faz uma série de recomendações para melhorar o funcionamento da cadeia de comando.

O magistrado destaca especialmente a má qualidade das fotografias que os policiais utilizaram em 22 de julho de 2005 para identificar o eletricista, como um dos autores dos atentados frustrados do dia anterior, que pretendiam ser uma imitação dos ataques de 7 de julho de 2005 na capital britânica.

"Muitos dos agentes que prestaram depoimento comentaram que as dificuldades para a identificação tornaram muito problemático seu trabalho no dia em questão", diz o relatório.

O juiz também critica o funcionamento da estrutura de comando no dia, e acrescenta que, das declarações feitas, desprende-se que "faltou clareza e deixou-se a porta aberta aos maus ententidos" entre os agentes que participaram da operação.

No entanto, justifica em parte a atuação dos agentes que atiraram à queima-roupa oito vezes em Jean Charles em um vagão do metrô, ao ressaltar que eles enfrentavam "uma situação sem precedentes", em referência aos ataques terroristas fracassados do dia anterior.

Em resposta ao relatório de Wright, a Polícia informou que já fez mudanças na linha do sugerido pelo magistrado, e que estuda a adoção de uma equipe de agentes dedicados unicamente às operações armadas, que estará dirigido por um Comando Tático para casos de perigo extremo.

Nick Hardwick, presidente da Comissão Independente de Queixas Policiais, afirmou que a Polícia de Londres "já deu passos significativos" para melhorar seu serviço, mas disse que é preciso fazer mais para evitar novas tragédias.

"A morte de Jean Charles de Menezes foi uma tragédia evitável na qual houve erros de organização significativos", disse.

Além disso, a Justice4Jean, a organização que pede Justiça neste caso, destacou que, se agora for aceita a hipótese de que houve erros, não faz sentido que "nenhum oficial da Polícia tenha assumido sua responsabilidade ou tenha sido processado" pela morte de Jean Charles.

O grupo defendeu a abertura de "um debate público, que deveria ter ocorrido há muito tempo, sobre os procedimentos policiais pelos quais se admite que pode-se atirar para matar" em um suspeito considerado um risco para a segurança.

Em 12 de fevereiro, a família do brasileiro decidiu abandonar a via judicial após ser confirmado que nenhum policial será processado pela morte do jovem. EFE fpb/db

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