Juiz admite testemunho do interrogador do ex-motorista de Bin Laden

Washington, 31 jul (EFE).- O juiz do tribunal militar de Guantánamo onde está o caso de Salim Hamedan, ex-motorista de Osama bin Laden, aprovou hoje incluir o testemunho do interrogador Robert McFadden, apesar das suspeitas de coerção.

EFE |

McFadden, do Serviço de Investigação Criminal Naval, declarou na quarta-feira que o acusado reconheceu que tinha jurado lealdade a Bin Laden, durante os interrogatórios aos quais Hamedan foi submetido, em 2003.

Os advogados de defesa protestaram e pediram que este testemunho não fosse admitido como prova, por considerar que as declarações que Hamedan fez a McFadden e a outros agentes "não são confiáveis", já que seu cliente sofreu privação do sono, isolamento e humilhação sexual durante esses interrogatórios.

O juiz que dirige o caso, Keith Allred, que desde que começou o processo descartou o uso de algumas provas obtidas em interrogatórios sob condições "altamente coercitivas", finalmente aprovou hoje sua inclusão como prova.

Segundo McFadden, um dos doze interrogadores que testemunharão durante este julgamento, "o senhor Hamedan disse que estava convencido da necessidade de buscar jihad (guerra santa)".

Hamedan, que reconheceu antes ter sido motorista de Bin Laden, mas que negou pertencer à Al Qaeda, negou as acusações e disse que jamais jurou lealdade ao líder da rede terrorista.

A defesa de Hamedan o retrata como um trabalhador sem escolaridade que trabalhava como motorista para Bin Laden, porque precisava dos US$ 200 que recebia, mas que não tinha conhecimento prévio dos ataques da Al Qaeda.

Segundo a Promotoria, Hamedan era um dos homens de confiança de Bin Laden, que o apoiou com entusiasmo inclusive depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos e, em algumas vezes, atuou como guarda-costas do líder terrorista.

Hamedan foi capturado pelo Exército afegão em novembro de 2001 e entregue depois ao Exército americano.

Em maio de 2002, foi levado a Guantánamo e depois se transformou em um dos primeiros prisioneiros a enfrentar acusações de crimes de guerra. EFE elv/an

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