Juiz acusa uruguaios e chilenos por morte de agente de Pinochet

SANTIAGO (Reuters) - Um juiz chileno fez nesta sexta-feira acusações contra 19 militares, incluindo três uruguaios, pela participação no sequestro e assassinato de um cientista vinculado aos aparelhos de repressão da ditadura de Augusto Pinochet. Depois da notificação das acusações contra os militares, que são em sua maioria aposentados, o juiz encarregado do caso, Alejandro Madrid, está em condições de elaborar condenações pela morte de Eugenio Berríos, químico da temida Direção de Inteligência Nacional (Dina) de Pinochet, que foi achado morto em 1995 em uma praia do Uruguai.

Reuters |

"Esse é um caso complicado, pois até as relações internacionais do nosso país ficaram em risco. Foram militares chilenos que planejaram esse crime e o executaram no exterior. Por isso extraditaram três militares uruguaios, dois deles em serviço ativo", disse Madrid a jornalistas.

Segundo a investigação, três militares uruguaios teriam detido Berríos à força por algumas semanas em 1992. Depois de mantê-lo detido, ele teria sido entregue a agentes chilenos que o mataram. Seu corpo foi encontrado três anos depois enterrado na areia com um disparo no crânio.

Depois de uma passagem rápida pela Argentina, o químico chileno estava refugiado no Uruguai, escapando de uma série de processos judiciais no Chile, onde era acusado de participar da morte do ex-chanceller Orlando Letelier, durante o governo militar de Pinochet.

Berríos também devia depor sobre o chamado projeto Andrea, que estaria relacionado com a elaboração do gás Sarin para a execução de pessoas.

"Uma vez concluída a etapa da acusação (notificação), estamos confiantes que o andamento do processo irá confirmar que eles não têm responsabilidade no caso Eugenio Berríos", disse Carlos Neira, advogado dos militares uruguaios notificados.

"Eles somente cumpriram ordens para atender os oficiais do exército chileno", acrescentou.

Os militares uruguaios Tomás Casella, Eduardo Radaelli e Wellington Sarli são acusados de serem os autores do sequestro, e de associação ilícita, enquanto o agente chileno Arturo Silva foi acusado de ser o autor do sequestro e do homicídio.

Pinochet, que governou entre 1973 e 1990, também seria investigado pela justiça chilena sobre sua participação na morte do cientista, mas essa diligência não teve andamento pois o ex-ditador morreu em dezembro de 2006.

Durante o regime militar chileno, mais de 3.000 pessoas morreram ou desapareceram, enquanto 28.000 foram vítimas de tortura pelas mãos de órgãos repressores e que foram coordenados, basicamente, pela DINA, segundo informações oficiais.

(Reportagem de Antonio de la Jara)

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